Montadoras pressionam Congresso dos EUA a proibir carros chineses

Destaques
- •Principais montadoras dos EUA pedem ao Congresso a aprovação de lei que proíba a venda de carros chineses no país.
- •A medida visa proteger a indústria local e a segurança nacional, alegando riscos de espionagem com carros conectados.
- •A proposta, conhecida como Connected Vehicle Security Act, tem prazo para ser votada antes do fim do ano legislativo.
As principais montadoras com atuação nos Estados Unidos, representadas pela Alliance for Automotive Innovation, intensificaram a pressão sobre o Congresso americano para impedir definitivamente a venda de carros chineses no país. A associação, que inclui gigantes como General Motors, Ford, Stellantis, Toyota e Volkswagen, enviou uma manifestação aos parlamentares pedindo a aprovação de um projeto de lei antes do encerramento da atual sessão legislativa em dezembro. O objetivo é transformar em lei federal as barreiras já existentes que dificultam a entrada de modelos chineses no mercado americano.
O argumento central das montadoras se baseia em dois pilares: a proteção dos investimentos já realizados na indústria automobilística local e preocupações com a segurança nacional. Segundo a entidade, os sistemas conectados presentes nos carros modernos podem ser utilizados para a coleta de informações sensíveis sobre motoristas e infraestrutura rodoviária dos Estados Unidos, configurando um risco de espionagem caso esses dados sejam acessados pela China.
Carros conectados e a coleta de dados
A preocupação das montadoras se concentra nos veículos equipados com internet, câmeras e sensores, que podem reunir dados detalhados sobre deslocamentos e vias percorridas. A Alliance for Automotive Innovation alerta que essas informações podem ser exploradas para fins de espionagem. Além disso, a associação ressalta a necessidade de proteger os bilhões de dólares investidos pelas empresas em fábricas e operações em território americano, garantindo a competitividade da indústria local.
Os Estados Unidos já possuem medidas em vigor contra a entrada de veículos chineses. Tarifas de importação superiores a 100% sobre carros elétricos chineses e uma regra do Departamento de Comércio, com vigência a partir do início de 2025, restringem o uso de softwares e componentes originários da China em veículos conectados. A atual iniciativa legislativa busca consolidar essas restrições em uma legislação permanente e mais abrangente.
Prazo apertado para aprovação no Congresso
O projeto de lei em questão, denominado Connected Vehicle Security Act, foi apresentado pelos senadores Bernie Moreno (Republicano) e Elissa Slotkin (Democrata). O texto já passou por uma comissão do Senado em julho e ganhou apoio significativo na Câmara dos Representantes, onde conta com mais de cem coautores. A pressão das montadoras se intensifica devido ao calendário legislativo apertado, com o Congresso retomando os trabalhos após as eleições de meio de mandato e a sessão terminando em dezembro.
A entidade também cita o rápido avanço das marcas chinesas no mercado europeu, que recebeu mais de 1,1 milhão de veículos produzidos na China entre janeiro e agosto de 2026. Em contrapartida, a China rejeita as acusações e classifica a atitude dos Estados Unidos como uma "repressão injustificada" contra suas empresas. A expectativa é que a votação ocorra nos próximos meses, definindo o futuro da entrada de veículos chineses no mercado americano.
Matérias originais
- Montadoras se organizam para proibir venda de carros chineses · canaltech.com.br



