Montadoras pedem proibição permanente de carros chineses nos EUA

Destaques
- •Alliance for Automotive Innovation apela ao Congresso dos EUA para banir permanentemente veículos chineses.
- •A entidade argumenta que a entrada desses carros ameaça a segurança nacional e os investimentos feitos pelas montadoras no país.
- •A votação da proposta no Congresso dos EUA é esperada para novembro, mas o tempo pode ser escasso.
Uma coalizão de grandes montadoras de automóveis, incluindo General Motors, Volkswagen e Toyota, solicitou formalmente ao Congresso dos Estados Unidos que aprove uma proibição permanente para a venda e fabricação de veículos de origem chinesa no país. O apelo, feito pela Alliance for Automotive Innovation (AI), representa quase todas as principais fabricantes que operam nos EUA e visa proteger o mercado americano de uma potencial "enxurrada" de importações chinesas.
A entidade argumenta que a presença de veículos chineses no mercado americano representa um risco à segurança nacional, citando preocupações com vigilância e a desvantagem competitiva imposta a montadoras que já realizaram investimentos significativos em comunidades americanas. "Precisamos proteger o mercado dos Estados Unidos de uma enxurrada de importações chinesas que trazem risco de vigilância e colocam em desvantagem os fabricantes atuais que fizeram investimentos de longo alcance nas comunidades americanas", afirmou John Bozzella, presidente da associação.
O que já existe e o que se busca
Atualmente, os Estados Unidos já impõem restrições que, na prática, impedem montadoras chinesas de vender ou fabricar carros de passeio no país. Essas regulamentações foram adotadas no início de 2025, durante o governo de Joe Biden, com o objetivo de mitigar o risco de envio de dados sensíveis dos motoristas para a China. Além disso, o país mantém tarifas de importação superiores a 100% sobre veículos elétricos chineses.
A pressão agora é pela aprovação de uma lei que estabeleça um banimento permanente, consolidando as barreiras existentes e impedindo futuras tentativas de entrada no mercado. A AI busca que os parlamentares aproveitem o curto período de votações antes do fim do ano para concluir a análise da proposta.
Avanço no Congresso e preocupações
O projeto de proibição já avançou em algumas etapas no Congresso. Em julho, foi aprovado por uma comissão do Senado, e na Câmara dos Representantes, a versão da proposta conta com mais de 100 coautores. Apesar do amplo apoio bipartidário, senadores responsáveis pela iniciativa concordaram em adiar para novembro a tentativa de acelerar a tramitação, visando a votação ainda neste ano.
No entanto, existe a preocupação de que, caso os democratas conquistem o controle do Legislativo após as eleições, o tempo possa ser insuficiente para votar o banimento antes do encerramento da sessão em dezembro. A posição do ex-presidente Donald Trump também gerou apreensão, pois ele indicou em setembro que aceitaria a produção de carros chineses em território americano.
O cenário internacional e a resposta da China
Para reforçar a urgência da medida, Bozzella citou o crescimento expressivo das importações de veículos chineses no mercado europeu. Nos primeiros oito meses de 2026, a União Europeia importou mais de 1,1 milhão de veículos da China, superando o volume total de 2025. "Dado o evidente risco à segurança nacional e o padrão de comportamento desleal da China, o Congresso deve proteger nossa base de defesa e de manufatura avançada e impedir que as montadoras chinesas façam aqui o que conseguiram fazer impunemente na Europa", declarou.
Em resposta a propostas anteriores, o Ministério das Relações Exteriores da China já havia solicitado aos Estados Unidos que "respeitassem as leis da economia de mercado e os princípios da concorrência justa", classificando tais medidas como "repressão injustificada".



