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Mobilização de eleitores em Salvador e em todo o Brasil impulsiona Lula à vitória

31 de outubro de 2026
Mobilização de eleitores em Salvador e em todo o Brasil impulsiona Lula à vitória

Destaques

  • •Ações de voluntários e a mobilização online foram cruciais para a virada de Lula no segundo turno.
  • •A paralisação de ônibus em Salvador gerou polêmica e levou a ações judiciais.
  • •O TSE registrou mais de 34 mil votos após o horário oficial, com Lula vencendo por 4,4 milhões de votos.

A mobilização de eleitores em todo o Brasil, com iniciativas inovadoras como caronas gratuitas e campanhas em redes sociais, foi fundamental para impulsionar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a um inédito quarto mandato. Apoiadores de Lula, após um primeiro turno com desempenho abaixo do esperado e a liderança de Flávio Bolsonaro (PL), organizaram-se rapidamente para garantir cerca de 10 milhões de votos a mais para o petista no segundo turno.

Um dos episódios que marcaram a eleição ocorreu em Salvador, onde a paralisação inexplicável de ônibus no dia da votação deixou muitos eleitores ilhados. O professor de história Martins Mafra, por exemplo, pegou seu carro para buscar eleitores, uma ação que se tornou símbolo do esforço comunitário. "Sou pai e trabalho com educação, então esta foi uma oportunidade para ensinar e mostrar que a gente pode fazer a diferença", disse Mafra, que, junto com seu filho, ofereceu caronas sem questionar a preferência política dos passageiros.

Ônibus parados em Salvador geram polêmica e ação judicial

Em Salvador, a interrupção do serviço de transporte público no dia da eleição, onde o prefeito Bruno Reis (União Brasil) apoiava Flávio Bolsonaro, gerou grande repercussão. Fiscais do Procon encontraram 944 ônibus parados nas garagens, e o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) estimou que pelo menos 30% da frota não estava funcionando. O prefeito atribuiu a paralisação à colocação de adesivos de Lula nos veículos, o que violaria as regras eleitorais, mas o secretário de Mobilidade Urbana, Pablo Souza, negou irregularidades.

O TRE da Bahia chegou a ordenar a prisão do secretário Pablo Souza devido aos ônibus ausentes, uma ordem que foi revogada no dia seguinte, mas que resultou em um pedido de investigação sobre o incidente. O secretário, que estava em Paris em visita oficial, afirmou que o número de ônibus em circulação era o mesmo do primeiro turno.

Voluntários e motoristas de aplicativo organizam caronas para eleitores

Diante da falta de transporte público, voluntários como Gabriel Mercury, filho da cantora Daniela Mercury, e motoristas de aplicativo se mobilizaram para garantir que os eleitores chegassem às urnas. Mercury e amigos pediram aos seguidores nas redes sociais que oferecessem caronas, transportando cerca de 600 eleitores. Milhares de motoristas de Uber ofereceram corridas gratuitas de até R$ 50. "Política não é apenas política institucional", afirmou Mercury. "A gente faz política por meio de nossas ações."

Apesar dos esforços, alguns moradores de Salvador não conseguiram votar. Grécia de Jesus Nunes, vendedora ambulante, relatou que apenas dois ônibus passaram por seu local de trabalho entre 8h e 14h, e quando motoristas voluntários a alcançaram, ela não podia mais deixar seu posto. Mesmo sem votar, ela comemorou a vitória de Lula, afirmando: "Minha vida é Lula. Sou Lula até morrer."

Campanha de Lula se reestrutura e usa redes sociais de forma intensiva

Após um primeiro turno considerado decepcionante, a campanha de Lula passou por uma reestruturação, com foco em mensagens mais claras e na expansão do alcance digital. O próprio presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, adquiriu seu primeiro smartphone para se conectar com eleitores em plataformas digitais. O deputado André Janones (Rede-MG) expandiu o canal "Exército de Lula" no WhatsApp de 50 mil para mais de 10 milhões de seguidores, instruindo-os a recrutar amigos e amplificar o conteúdo da campanha.

O consultor de risco político Creomar de Souza, da Dharma, avaliou que a equipe de Lula soube explorar os deslizes de Flávio Bolsonaro para convencer os eleitores de que ele representava uma ameaça à democracia e aos avanços sociais. No dia da eleição, a diferença entre os candidatos era mínima, com pesquisas indicando um empate técnico.

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pouco mais de 34 mil votos foram registrados após as 17h, em uma eleição decidida por cerca de 4,4 milhões de votos de diferença a favor de Lula. A Bahia, um reduto eleitoral do petista, registrou a maior queda na abstenção entre os turnos, com quase 400 mil eleitores a mais votando no segundo turno, sendo quase um quarto desses em Salvador.

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