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Ministro da Fazenda discute revisão de benefícios fiscais da reforma tributária em 2027

03 de novembro de 2026
Ministro da Fazenda discute revisão de benefícios fiscais da reforma tributária em 2027

Destaques

  • •Ministro Dario Durigan sinaliza intenção de discutir com o Congresso a revisão de benefícios fiscais aprovados na reforma tributária.
  • •O objetivo é reduzir incentivos para baixar a alíquota da Contribuição Sobre Bens e Serviços (CBS) federal, que o TCU projetou em 11,3% para 2027.
  • •A discussão sobre a revisão dos benefícios fiscais ocorrerá em 2027, após a entrada em vigor da reforma e a definição da alíquota pelo Senado.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira (3) que buscará discutir com o Congresso Nacional, no decorrer do ano de 2027, uma revisão dos benefícios fiscais previstos na reforma tributária sobre o consumo. O objetivo é reduzir alguns incentivos aprovados a produtos e setores da sociedade para baixar, no futuro, a alíquota da Contribuição Sobre Bens e Serviços (CBS) do governo federal. A proposta de alíquota para 2027, apresentada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), foi de 11,3%, um valor que surpreendeu o mercado e as empresas brasileiras, que esperavam algo em torno de 9,4%.

Entendendo a alíquota e os benefícios fiscais

A reforma tributária prevê manter estável a carga tributária sobre o consumo. No entanto, o amplo conjunto de benefícios e desonerações aprovados pelo Congresso resultou em uma alíquota final mais alta para os demais segmentos da economia. O ministro Durigan explicou que, tecnicamente, o Senado Federal não poderá reduzir benefícios para baixar a alíquota da CBS antes de 2027, pois os incentivos foram aprovados em Proposta de Emenda à Constituição (PEC).

A CBS substituirá o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) em 2026. O Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) permanecerá apenas para itens da Zona Franca de Manaus. Além da CBS federal, a reforma inclui o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) estadual e municipal, cuja alíquota integral começará a ser cobrada em 2033. Estimativas indicam que o imposto sobre o consumo total (federal, estadual e municipal) poderá somar cerca de 28% em 2033, podendo superar 30%, uma das maiores do mundo.

O debate sobre a trajetória fiscal e a política econômica

A declaração do ministro ocorre em um contexto de preocupação do mercado financeiro com a trajetória das contas públicas brasileiras, especialmente após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Analistas têm elevado projeções de inflação e juros, e reduzido expectativas de crescimento econômico, cobrando um ajuste fiscal mais forte.

Durigan reafirmou o compromisso do governo com a melhora fiscal, buscando um ajuste gradual das contas públicas, da ordem de dois pontos do Produto Interno Bruto (PIB), com o objetivo de retornar ao superávit primário em 2027. Ele também negou veementemente a possibilidade de o governo estudar o tabelamento de juros ou o uso de reservas internacionais para compensar fuga de capitais, em referência a propostas heterodoxas que circularam no noticiário.

Posicionamento e próximos passos

O ministro tem afirmado que o governo buscará o cumprimento da meta fiscal de superávit de 0,5% do PIB para o próximo ano, promovendo um ajuste fiscal sem cortes drásticos em programas sociais. O presidente Lula também garantiu, pelas redes sociais, que não haverá cortes em programas sociais e que todas as promessas de campanha serão cumpridas.

A discussão sobre a revisão dos benefícios fiscais está prevista para 2027, após a entrada em vigor da reforma. O valor final da alíquota da CBS será fixado pelo Senado até 15 de dezembro. A política econômica e a trajetória fiscal continuam sendo pontos de atenção para investidores e para o mercado.

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