Meta concede ações sem voto a Zuckerberg para evitar saída da Califórnia

Destaques
- •Meta concede ações sem direito a voto a Mark Zuckerberg para cobrir impostos bilionários e mantê-lo na Califórnia.
- •O acordo visa garantir a permanência do CEO na sede da empresa, crucial para a corrida pela inteligência artificial.
- •A Proposição 40, um imposto sobre grandes fortunas, será votada em novembro e pode levar outros bilionários a deixar o Estado.
A Meta, dona do Facebook e Instagram, firmou um acordo incomum com seu CEO, Mark Zuckerberg, para evitar que ele deixe a Califórnia devido a uma proposta de imposto sobre grandes fortunas. A empresa concederá ao bilionário ações sem direito a voto, que poderão ser vendidas para cobrir uma conta tributária de vários bilhões de dólares, sem que ele perca o controle da companhia. Em contrapartida, Zuckerberg se comprometeu a permanecer na Califórnia, ou onde quer que a Meta mantenha sua sede, pelos próximos oito anos, enquanto continuar como CEO em tempo integral.
O acordo, detalhado em documento divulgado na quarta-feira, evidencia a pressão que a proposta de tributar algumas das maiores fortunas do Vale do Silício exerce sobre o mundo corporativo. Outros bilionários, como Sergey Brin e David Sacks, já tomaram medidas para deixar a Califórnia, alimentando críticas de que a cobrança extraordinária de 5%, que será submetida a votação em novembro, pode afastar indivíduos ricos do Estado.
Presença do CEO é considerada crucial
Um comitê especial da Meta destacou que a presença física de Zuckerberg na sede da empresa é “criticamente importante”, especialmente diante da intensa corrida pela liderança em inteligência artificial. O grupo lembrou as dificuldades enfrentadas durante a pandemia, quando o CEO estava fisicamente distante da equipe de gestão, e busca evitar problemas semelhantes no futuro. A Meta planeja aprofundar sua aposta bilionária em data centers, energia e computação em nuvem para impulsionar a IA.
Segundo o Índice de Bilionários da Bloomberg, Zuckerberg, a quinta pessoa mais rica do mundo, possui uma fortuna estimada em US$ 247 bilhões. A Meta alertou que o imposto sobre bilionários poderia resultar em uma cobrança de vários bilhões de dólares para Zuckerberg e possivelmente obrigá-lo a vender parte de suas ações com direito a voto, reduzindo seu controle sobre a empresa.
Negociações e a Proposição 40
A preocupação com o imposto surgiu em julho, quando Zuckerberg expressou a intenção de deixar a Califórnia por causa da Proposição 40, que afetaria pessoas com patrimônio superior a US$ 1 bilhão. Ele propôs a criação de uma nova classe de ações sem direito a voto, que daria à Meta uma alternativa para levantar recursos para financiar seus investimentos em inteligência artificial. O acordo final permite que Zuckerberg levante fundos sem enfraquecer seu controle e oferece à Meta uma ferramenta para financiar projetos de IA.
Pelo acordo, Zuckerberg poderá vender imediatamente 20% das novas ações Classe C sem direito a voto, o equivalente a cerca de 10% de sua participação econômica. Os 80% restantes ficarão bloqueados, com restrições gradualmente retiradas ao longo de oito anos, desde que ele continue liderando a Meta. A necessidade de pagar o imposto dependerá da votação da Proposição 40 em novembro, que enfrenta oposição do governador Gavin Newsom, mas é defendida por políticos progressistas.
Matérias originais
- Zuckerberg ameaça deixar a Califórnia, e Meta monta plano para segurá-lo · infomoney.com.br



