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Austrália propõe lei para dar controle de algoritmos de redes sociais aos usuários

22 de outubro de 2026
Austrália propõe lei para dar controle de algoritmos de redes sociais aos usuários

Destaques

  • •Nova legislação australiana visa permitir que usuários desliguem o conteúdo recomendado pelas plataformas.
  • •A medida busca proteger jovens de conteúdos prejudiciais, como os que levaram a distúrbios alimentares e problemas de saúde mental.
  • •A lei, que prevê multas de até R$ 353 milhões, enfrenta debates sobre liberdade de expressão e eficácia.

O governo da Austrália apresentou uma nova legislação ao Parlamento nacional que visa dar aos usuários das redes sociais maior controle sobre o conteúdo que consomem. A proposta central é a criação de uma "chave para o algoritmo", que obrigaria as plataformas a permitir que os usuários desliguem o conteúdo recomendado, limitando o acesso apenas a contas que eles seguem. A iniciativa busca proteger os cidadãos, especialmente os jovens, de conteúdos prejudiciais que podem levar a problemas de saúde mental e distúrbios alimentares.

A proposta surge após relatos como o de Varsha Yajman, que aos 13 anos foi exposta a vídeos de exercícios com promessas impossíveis e desafios perigosos de perda de calorias. Agora com 24 anos e em recuperação de anorexia, ela ainda recebe conteúdo sobre perda de peso, apesar das configurações de segurança. Outro caso é o de Flynn Martin, que aos 20 anos foi atraído pela retórica misógina de figuras da "machosfera" após se sentir inseguro e frustrado com sua vida, o que o levou a um período de psicose e internação hospitalar.

O que a lei propõe?

A reforma legislativa, parte do projeto de lei Obrigação de Assistência Digital, exige que serviços online, incluindo redes sociais, sites de jogos e chatbots, garantam um ambiente online seguro. A principal novidade é a obrigação de oferecer aos usuários a opção de desligar os algoritmos de recomendação. O objetivo é que o usuário tenha acesso apenas ao conteúdo de contas que ele escolheu seguir, em vez de ser exposto a um fluxo constante de conteúdo sugerido pelas plataformas.

A legislação também visa proteger crianças contra material "prejudicial", como pornografia e conteúdo que incentive distúrbios alimentares ou comportamentos perigosos. Adultos seriam protegidos contra material e condutas "seriamente prejudiciais". O descumprimento da lei pode resultar em multas de até 100 milhões de dólares australianos (cerca de R$ 353 milhões).

Críticas e preocupações

Apesar do objetivo de proteger os usuários, a proposta australiana enfrenta críticas. Críticos argumentam que o governo do primeiro-ministro Anthony Albanese pode estar indo longe demais na regulamentação das big techs, o que poderia ameaçar a liberdade de expressão. Partidos de direita na Austrália e o governo americano, sob a gestão de Donald Trump, expressaram preocupações semelhantes, alegando que a lei pode levar à moderação excessiva e censura.

Defensores da lei, no entanto, afirmam que a liberdade de expressão não será afetada, pois os usuários ainda poderão seguir quem desejarem e compartilhar suas opiniões livremente. A ministra das Comunicações da Austrália, Anika Wells, declarou que a lei transfere o ônus da responsabilidade das vítimas para as big techs.

Desafios e próximos passos

Empresas como Meta, Snap, TikTok, X e Google não se pronunciaram publicamente sobre a nova legislação. Anteriormente, o diretor do Instagram, Adam Mosseri, defendeu que feeds sem algoritmos poderiam reduzir o engajamento dos usuários e não acreditou que seu aplicativo seja viciante. Ele comparou o uso de redes sociais a "maratonar uma série", diferenciando-o de dependência clínica.

A experiência de outros países, como a União Europeia, com controles de algoritmos tem sido mista. Pesquisas indicam que a adoção dessas ferramentas de segurança tem sido baixa, pois as plataformas muitas vezes as implementam de forma que os usuários acabam preferindo a experiência algorítmica padrão. Na Holanda, um tribunal determinou que a Meta deveria alterar o aplicativo para tornar as opções de controle mais acessíveis e permanentes.

A Austrália afirma que suas novas configurações de algoritmo serão "óbvias" e não mudarão sem a "decisão explícita" do usuário. A ativista Chanel Contos, que liderou a campanha "Fix Our Feeds", agora busca replicar o sucesso em outros países como Canadá e Reino Unido. No entanto, Varsha Yajman e Flynn Martin expressam ceticismo, questionando a capacidade de um país se impor contra as gigantes da tecnologia e a real eficácia da chave do algoritmo como solução definitiva.

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