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Mercúrio tóxico contaminou lagos maias e afetou cadeia alimentar

07 de novembro de 2026

Destaques

  • •Estudo revela contaminação por mercúrio em lagos maias, ultrapassando limites tóxicos modernos.
  • •Concentrações elevadas de mercúrio levaram ao colapso da cadeia alimentar aquática, afetando organismos e potencialmente a saúde humana.
  • •Pesquisa sugere envenenamento por mercúrio como um fator adicional para o declínio de cidades maias.

Um novo estudo publicado na revista Science Advances revela que a antiga civilização maia, conhecida por seu uso sagrado do mineral cinábrio como pigmento, pode ter sofrido com a contaminação generalizada por mercúrio em seus ecossistemas aquáticos. As concentrações de mercúrio encontradas em sedimentos de lagos em sítios maias na península de Yucatán, México, ultrapassaram em séculos os limites de toxicidade estabelecidos pelas regulamentações modernas, indicando um grave estresse ambiental.

O cinábrio, composto principalmente por mercúrio, era amplamente utilizado pelos maias em murais, templos e rituais, sem que soubessem de sua toxicidade. Pesquisadores analisaram amostras de núcleos de sedimentos de lagos em duas antigas cidades maias: Coba e Xcach. Em Coba, um pico de mercúrio foi detectado a partir de 250 d.C., coincidindo com o início do Período Clássico maia, e durou cerca de 150 anos. Em Xcach, picos foram observados em diferentes períodos, incluindo um extenso entre 535 d.C. e 820 d.C., próximo ao fim do Período Clássico.

Contaminação e colapso da cadeia alimentar

O estudo documentou a contaminação por mercúrio nas planícies do norte da região maia, uma área com poucos registros anteriores sobre o tema, e registrou algumas das maiores concentrações de mercúrio da era maia. As análises dos sedimentos também indicaram um colapso na cadeia alimentar aquática. Marcadores biológicos como bactérias, algas, cianobactérias, organismos com concha e mosquitos diminuíram ou desapareceram dos lagos, evidenciando que a toxicidade do mercúrio afetou múltiplos níveis do ecossistema.

"Medimos vários marcadores biológicos nos sedimentos [...] que diminuíram ou desapareceram nos lagos, o que significa que o mercúrio havia se infiltrado em vários níveis da cadeia alimentar", afirmou o paleolimnologista Matt Waters, professor de ciências ambientais da Universidade de Auburn e autor principal do estudo.

Impacto na saúde maia e declínio das cidades

O mercúrio é conhecido por causar danos ao sistema nervoso central, cérebro, rins, pulmões e coração em humanos. Embora o estudo não comprove diretamente a exposição humana, a infiltração trófica sugere que os maias podem ter sido expostos ao mercúrio através do consumo de água ou peixes contaminados. A pesquisa adiciona o envenenamento por mercúrio como um possível fator contribuinte para o declínio e abandono de muitas grandes cidades maias no final do Período Clássico, juntando-se a outras hipóteses como mudanças climáticas e guerras.

"Essa pesquisa pouco contribui para vincular diretamente o mercúrio ao declínio das cidades maias da Era Clássica. Mas acrescenta mais um fator de estresse à crescente lista de pressões ambientais e climáticas documentadas como tendo ocorrido simultaneamente com os maias do Período Clássico", acrescentou a coautora do estudo Savanna Wooten.

O que diz a pesquisa

Um estudo publicado na revista Science Advances em 2026, liderado pelo paleolimnologista Matt Waters da Universidade de Auburn, investigou a contaminação por mercúrio em lagos de duas antigas cidades maias na península de Yucatán, México: Coba e Xcach. As análises de sedimentos revelaram concentrações de mercúrio que excederam em ordens de magnitude os limiares modernos de toxicidade por séculos durante a ocupação maia. O estudo também encontrou evidências de colapso na cadeia alimentar aquática, com declínio de algas, bactérias, cianobactérias, ostracodes, caracóis e larvas de mosquitos, coincidindo com os altos níveis de mercúrio. Isso confirma que a toxicidade do mercúrio foi um estressor ambiental adicional para as populações maias do Período Clássico.

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