Mercado reage com cautela a eleições nos EUA e Copom; Ibovespa cai 18%

Destaques
- •Mercado financeiro brasileiro opera em cenário de cautela após feriado, com investidores atentos à reunião do Copom e às eleições de meio de mandato nos EUA.
- •A reeleição de Lula já impacta projeções econômicas, com piora nas expectativas de inflação, câmbio e juros, e o Ibovespa acumula queda de 18,12% em cinco pregões.
- •Expectativa majoritária é de manutenção da Selic em 13,75% ao ano, com incertezas fiscais do novo governo pesando nas decisões do Banco Central.
O mercado financeiro brasileiro retomou as atividades após o feriado de Finados em um cenário de cautela, com investidores atentos a dois eventos cruciais: a penúltima reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos (midterms). A expectativa é de volatilidade, com o dólar em alta e o Ibovespa em queda.
A principal consequência da eleição presidencial brasileira, que reelegeu Luiz Inácio Lula da Silva, já se reflete nas projeções econômicas. O Boletim Focus, divulgado nesta terça-feira (3), indicou uma piora nas expectativas para a inflação, o câmbio e os juros no Brasil. A projeção para a inflação oficial (IPCA) em 2026 subiu de 5,19% para 5,22%, enquanto a estimativa para o dólar ao fim de 2026 avançou de R$ 5,05 para R$ 5,34. A expectativa para a taxa básica de juros (Selic) também aumentou, passando de 13,25% para 13,50% ao ano. O Produto Interno Bruto (PIB) teve sua projeção de crescimento revisada para baixo, de 1,80% para 1,76% em 2026.
Expectativas para o Copom e o cenário fiscal
A reunião do Copom, que se inicia nesta terça-feira, é aguardada com a expectativa majoritária de manutenção da taxa Selic em 13,75% ao ano. Essa mudança de perspectiva ocorreu após o resultado da eleição presidencial, que inverteu a probabilidade de corte de juros. Antes do segundo turno, a maioria dos investidores apostava em um corte de 0,25 ponto percentual. Agora, a manutenção é a aposta dominante, refletindo receios sobre a política fiscal do próximo governo.
As incertezas em relação ao equilíbrio das contas públicas e a percepção de que o novo mandato de Lula pode não priorizar o ajuste fiscal têm impactado negativamente as expectativas de inflação e juros. A proposta do economista André Lara Resende para um novo regime fiscal e monetário, que incluiria redução gradual de juros e uso de reservas internacionais, também gerou alerta no mercado, apesar de o PT ter classificado as informações como especulações. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a proposta de Lara Resende tem "deficiências" e não está na mesa de discussão do governo.
Eleições de meio de mandato nos EUA e impacto global
Nos Estados Unidos, os eleitores vão às urnas para as eleições de meio de mandato, que renovarão grande parte da Câmara dos Deputados e do Senado. Pesquisas indicam uma possível vitória democrata em ambas as Casas, o que pode levar a um cenário legal e institucional mais adverso para empresas de tecnologia, com potenciais alterações nas permissões para construção de data centers e impacto na rentabilidade de investimentos em Inteligência Artificial (IA).
O mercado de trabalho americano também será monitorado, com a divulgação de novos dados que podem dar pistas sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed) na definição de suas taxas de juros. No cenário internacional, os preços do petróleo operam em alta após um ataque americano à ilha iraniana de Qeshm, aumentando temores de interrupções no fornecimento de energia, embora a reação tenha sido considerada moderada.
Desempenho da Bolsa e lições para investidores
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, opera em queda nesta terça-feira, acumulando perdas após a reeleição de Lula. A queda semanal já se aproxima de 18,12%, sendo uma das maiores desde o Plano Real. Essa volatilidade reforça a importância da diversificação de carteiras.
Um estudo recente mostrou que carteiras diversificadas, com exposição a ativos em dólar, conseguiram amortecer as perdas. A parcela em dólar, que havia custado retorno antes da eleição, tornou-se um reforço importante após o resultado, protegendo o patrimônio em momentos de estresse doméstico. Especialistas recomendam cautela, evitando decisões impulsivas e focando em manter a carteira alinhada aos objetivos de longo prazo, com reservas de emergência e de oportunidade.
Matérias originais
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