Mercado eleva projeções de inflação, juros e dólar após eleição de Lula

Destaques
- •Economistas revisam para cima as expectativas de inflação, taxa Selic e câmbio em 2026 e anos seguintes.
- •Projeção de crescimento do PIB para 2026 foi reduzida, indicando um cenário de atividade econômica mais fraca.
- •Decisão do Copom sobre a taxa de juros e a condução da política fiscal serão pontos de atenção para o mercado.
Economistas do mercado financeiro realizaram fortes ajustes em suas expectativas para a inflação, taxa de juros e crescimento da economia brasileira após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As projeções, divulgadas no Boletim Focus do Banco Central, indicam uma elevação considerável nas estimativas de inflação, uma redução nas previsões de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e a expectativa de uma taxa de juros mais elevada do que o previsto anteriormente. As projeções para o dólar também sofreram um aumento significativo.
Piora nas projeções de inflação e juros
As estimativas para a inflação oficial (IPCA) em 2026 subiram de 5,19% para 5,22%. Para 2027, a expectativa avançou de 4,34% para 4,76%, e para 2028, de 3,75% para 4%. Já em 2029, a projeção passou de 3,50% para 3,98%.
Em relação à taxa básica de juros, a Selic, a projeção para o fim de 2026 subiu de 13,25% para 13,50% ao ano. Para 2027, a expectativa avançou de 11,75% para 12,50% ao ano, e para 2028, de 10% para 11% ao ano. Em 2029, a previsão passou de 10% para 10,25% ao ano.
Desaceleração do PIB e dólar em alta
A estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026 foi reduzida de 1,80% para 1,76%. Para 2027, a projeção caiu de 1,31% para 1,20%, e para 2028, de 1,81% para 1,80%. Apenas para 2029 a previsão permaneceu em 2%.
A taxa de câmbio também sofreu revisões para cima. A projeção para o dólar ao fim de 2026 subiu de R$ 5,05 para R$ 5,34. Para 2027, a estimativa avançou de R$ 5,15 para R$ 5,40. Em 2028, a mediana passou de R$ 5,20 para R$ 5,40, e para 2029, de R$ 5,28 para R$ 5,45.
Copom e próximos passos
O Comitê de Política Monetária (Copom) inicia nesta terça-feira (3) uma reunião de dois dias sobre a taxa de juros. A expectativa do mercado é de que haja um corte na Selic, atualmente em 13,75% ao ano. No entanto, a decisão sobre novos cortes em dezembro dependerá da evolução do cenário fiscal, do dólar e das expectativas de inflação. A economista Marcela Kawauti, da Lifetime, avalia que a piora dessas variáveis pode limitar o espaço para novas flexibilizações na política monetária.
Matérias originais
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