Mercado de empréstimos com garantia de ativos atinge US$ 5,4 trilhões

Destaques
- •Volume global de crédito lastreado em ações e outros títulos chega a US$ 5,4 trilhões, segundo Deloitte.
- •Instituições financeiras expandem oferta para clientes de alta renda e investidores de varejo.
- •Reguladores alertam para riscos de venda forçada e consequências tributárias para tomadores.
O mercado global de empréstimos garantidos por ativos financeiros, como ações e títulos de dívida, atingiu um volume estimado de US$ 5,4 trilhões. A pesquisa da Deloitte, analisada pelo The Wall Street Journal, revela um crescimento anual médio de 12% na última década, impulsionado pela alta dos mercados e pela expansão do acesso a clientes com patrimônio menor.
Essa modalidade de crédito, conhecida como Lombard loans na Europa e Ásia, permite que indivíduos e empresas tomem empréstimos utilizando seus portfólios de investimento como garantia, evitando a necessidade de vender ativos para adquirir outros bens ou cobrir despesas. Bancos e outras instituições financeiras lucram com as tarifas cobradas, pois as perdas com garantias são raras e os ativos podem ser rapidamente liquidados.
Acessibilidade crescente para investidores
Tradicionalmente um produto voltado para ultra-ricos, os empréstimos garantidos por ativos estão se tornando mais acessíveis. A Deloitte aponta que, embora cerca de 30% do mercado esteja nos Estados Unidos, centros como Suíça e Liechtenstein também são importantes. O volume efetivamente emprestado pode chegar a US$ 1,6 trilhão, considerando que os clientes nem sempre utilizam todo o limite de crédito disponível.
Empresas como a Charles Schwab registraram um aumento de 35% nos saldos de empréstimos bancários em seu terceiro trimestre, após simplificar o processo de aprovação para clientes com pelo menos US$ 100 mil em investimentos. Instituições como o Monument Bank planejam expandir a oferta para investidores com algumas centenas de milhares de dólares, visando democratizar o acesso a essa estratégia.
Lucratividade e riscos do mercado
Para os bancos privados, esses empréstimos podem representar de 25% a 30% do lucro anual. A agilidade na concessão, muitas vezes sem análise aprofundada de crédito pessoal, e a cobrança de taxas cerca de 1 ponto percentual acima das referências tornam a operação atraente. Empréstimos com margem, que visam ampliar investimentos, também cresceram significativamente.
No entanto, reguladores do mercado de valores mobiliários alertam para os riscos. Tomadores de empréstimo podem enfrentar a venda forçada de seus ativos em momentos de queda do mercado, com consequências tributárias significativas. A Deloitte também observou que alguns bancos estão se especializando em ativos menos convencionais, como criptomoedas, concedendo empréstimos de até 90% do valor desses ativos, mas com a ressalva de que a liquidação em caso de inadimplência é feita sem piedade.



