Melatonina pode potencializar quimioterapia contra câncer cerebral, aponta estudo

Destaques
- •Pesquisa in vitro sugere que melatonina pode aumentar a eficácia da temozolomida contra glioblastoma.
- •Combinação demonstrou efeito superior à soma das substâncias isoladas em culturas de células tumorais.
- •Resultados de laboratório ainda precisam de validação em ensaios clínicos para confirmar benefícios em pacientes.
A melatonina, hormônio conhecido por sua função na regulação do sono, está emergindo como uma potencial aliada no combate ao glioblastoma, um tipo agressivo de câncer cerebral. Uma pesquisa recente, publicada em 2024, investigou a combinação da melatonina com a temozolomida (TMZ), um quimioterápico comumente utilizado no tratamento da doença. Os resultados preliminares, obtidos em culturas de células tumorais, indicam que a associação pode apresentar um efeito sinérgico, superando a soma dos benefícios de cada substância utilizada isoladamente.
O estudo, intitulado "MELATONIN ENHANCES TEMOZOLOMIDE-INDUCED APOPTOSIS IN GLIOBLASTOMA AND NEUROBLASTOMA CELLS", foi publicado na revista Experimental Oncology. A pesquisa avaliou in vitro os efeitos inibitórios da melatonina em combinação com a temozolomida em linhagens de células de glioblastoma e neuroblastoma. Os pesquisadores utilizaram diferentes concentrações de TMZ e melatonina, analisando a viabilidade celular, a taxa de morte celular e a apoptose (morte celular programada). Os resultados demonstraram que a combinação de melatonina e TMZ foi capaz de inibir o crescimento das células tumorais de forma mais eficaz do que cada agente isoladamente.
O que diz a pesquisa
Um estudo publicado em 2024 na revista Experimental Oncology investigou a combinação de melatonina (MEL) com temozolomida (TMZ) em linhagens de células de glioblastoma e neuroblastoma. A pesquisa, que utilizou modelos celulares in vitro, avaliou os efeitos inibitórios da combinação na viabilidade celular e os mecanismos subjacentes. Os resultados indicaram que a melatonina potencializa a citotoxicidade induzida pela temozolomida, sugerindo um efeito sinérgico entre as duas substâncias contra as células tumorais.
O estudo utilizou testes como o MTT para avaliar a proliferação celular e citometria de imagem com coloração Annexin V/PI para determinar células viáveis, mortas e apoptóticas. A análise da expressão gênica e de proteínas-chave também foi realizada. Os achados sugerem que a melatonina pode ser uma estratégia promissora para aumentar a eficácia da temozolomida no tratamento de glioblastomas e neuroblastomas, embora sejam necessários mais estudos para confirmar esses efeitos em pacientes.
Antecedentes do tratamento com Temozolomida
A temozolomida já é um medicamento estabelecido no tratamento do glioblastoma. Sua eficácia, em combinação com radioterapia, foi demonstrada em um estudo de referência publicado em 2005 no The New England Journal of Medicine. Liderado por Roger Stupp, a pesquisa envolveu 573 pacientes em 85 centros e comparou a radioterapia isolada com a associação de radioterapia e TMZ.
Os resultados do estudo de Stupp mostraram que, após dois anos, a taxa de sobrevida dos pacientes que receberam radioterapia e temozolomida foi de 26,5%, significativamente maior do que os 10,4% observados no grupo tratado apenas com radioterapia. Este achado consolidou a temozolomida como um componente importante no regime terapêutico contra o glioblastoma, embora a melatonina não tenha sido parte da investigação original.
Considerações sobre o uso e próximos passos
É crucial ressaltar que as concentrações de melatonina utilizadas em experimentos de laboratório podem ser consideravelmente superiores às produzidas naturalmente pelo corpo humano. Portanto, os resultados obtidos em culturas de células não garantem que suplementos de melatonina disponíveis comercialmente para auxiliar o sono tenham o mesmo efeito terapêutico contra o câncer.
O uso da melatonina com finalidade oncológica deve ser estritamente discutido com a equipe médica responsável pelo tratamento. A substância não deve ser vista como um substituto para as terapias convencionais prescritas, como quimioterapia e radioterapia. A pesquisa atual aponta para um potencial complementar, mas a validação clínica em pacientes é o próximo passo essencial para determinar a real aplicabilidade e segurança dessa associação no tratamento do glioblastoma.
Pesquisa citada
- MELATONIN ENHANCES TEMOZOLOMIDE-INDUCED APOPTOSIS IN GLIOBLASTOMA AND NEUROBLASTOMA CELLS
Experimental Oncology · 2024



