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Médicos são acusados de discriminar pacientes por orientação política no Brasil

31 de outubro de 2026

Destaques

  • •Denúncias de médicos que expõem colegas e sugerem tratamento diferenciado a pacientes por posicionamento político surgem em diversos estados após a eleição de Lula.
  • •Casos incluem listas de 'esquerdistas' em grupos de WhatsApp, mensagens sobre negar atendimento a petistas e ironias sobre alteração de prescrições médicas.
  • •Conselhos de Medicina e o Ministério Público são os órgãos para onde pacientes e profissionais devem recorrer em caso de discriminação ou assédio.

A polarização política após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) extrapolou para o ambiente médico, com denúncias de exposição de colegas e sugestões de tratamento diferenciado a pacientes com base em suas posições políticas. Os casos foram reunidos pela BBC News Brasil e ocorreram em estados como Sergipe, Bahia, Espírito Santo, São Paulo e Goiás.

Médicos expostos e ameaçados

Em Sergipe, um anestesiologista relatou sentir-se com "um alvo na cabeça" após ter seu nome incluído em uma lista de 15 médicos "esquerdistas" em um grupo de WhatsApp. Ele afirmou ter recebido ofensas homofóbicas e buscou proteção policial e da cooperativa médica, que teria evitado escalá-lo em plantões com o colega apontado como autor da lista. Os responsáveis pela lista não foram localizados.

Na Bahia, uma cardiologista foi denunciada ao Conselho Regional de Medicina (Cremeb) por compartilhar em suas redes sociais uma mensagem que sugeria não ajudar petistas "na fila da regulação" nem "com remédio ou dinheiro". A médica admitiu o compartilhamento como um "equívoco" e negou defender a privação de atendimento por razões políticas. A clínica onde ela atua declarou que opiniões pessoais não representam a instituição.

Discriminação e afastamento de profissionais

No Espírito Santo, o Conselho Regional de Medicina (CRM) abriu uma sindicância para investigar uma médica que teria ironizado a possibilidade de alterar prescrições de pacientes. O caso foi denunciado pela deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG).

Em São Paulo, um cardiologista do Hospital Israelita Albert Einstein escreveu em suas redes que não atenderia "petistas vagabundos". O hospital repudiou a discriminação e informou que o caso seria tratado conforme seu código de ética.

Em Goiânia, uma ginecologista foi afastada e posteriormente demitida do Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara após pedir a colegas, em um grupo de WhatsApp, que não dessem alta a pacientes no fim de semana do primeiro turno das eleições, alegando que "a maioria é petista". A médica, no entanto, declarou que nenhuma paciente teve a alta atrasada ou negada por motivo político.

O que diz a ética médica e como denunciar

O Código de Ética Médica estabelece a obrigatoriedade do atendimento em urgência e emergência, e uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) determina que a prática médica seja exercida sem qualquer tipo de discriminação. Em situações de negativa de atendimento ou assédio, a orientação é que as vítimas reúnam provas, como mensagens, áudios e prontuários, e denunciem ao CRM do estado. É possível também recorrer ao Ministério Público, à Defensoria Pública ou à Justiça. Os conselhos regionais podem aplicar sanções que variam de advertência e censura à suspensão e cassação do exercício profissional.

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