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Mbappé pede desculpas à China após piada com Mao Tsé-Tung e perde patrocínios

28 de outubro de 2026
Mbappé pede desculpas à China após piada com Mao Tsé-Tung e perde patrocínios

Destaques

  • •Kylian Mbappé se desculpou formalmente após declaração considerada desrespeitosa sobre Mao Tsé-Tung.
  • •Três marcas chinesas já romperam contratos de patrocínio com o jogador, e transmissões do Campeonato Espanhol foram suspensas.
  • •O caso reforça a necessidade de empresas e celebridades entenderem as sensibilidades culturais e políticas do mercado chinês.

O astro francês Kylian Mbappé se envolveu em uma crise diplomática com a China após uma declaração considerada desrespeitosa sobre Mao Tsé-Tung, fundador do país asiático. Em um podcast, o jogador reagiu a brincadeiras sobre ser um "ditador", comparando-se a Mao. A fala viralizou e gerou forte reação no país, culminando na suspensão das transmissões do Campeonato Espanhol pela emissora estatal China Media Grou (CMG) e no rompimento de contratos com ao menos três marcas chinesas.

A polêmica começou com a circulação de um vídeo de março em que Mbappé comenta uma montagem que coloca seu rosto sobre uma imagem de Mao, referindo-se ao ex-líder como um "ditador chinês". A declaração, feita em um contexto de memes que o comparam a líderes militares e políticos na imprensa europeia, provocou indignação nas redes sociais chinesas, onde Mao é uma figura reverenciada pelo governo.

Reação e Pedido de Desculpas

Diante da repercussão negativa, Kylian Mbappé emitiu um comunicado oficial lamentando o ocorrido. "Meu comentário foi imprudente, e agora entendo que ele magoou muitas pessoas na China e em comunidades chinesas ao redor do mundo. Peço desculpa a todos aqueles que as minhas palavras tenham ofendido. Não era de forma alguma essa a minha intenção. Tenho um profundo respeito pelo povo chinês e pela sua história, e lamento sinceramente", declarou o jogador.

O Real Madrid, clube de Mbappé, também emitiu nota oficial. "O Real Madrid CF gostaria de expressar suas desculpas ao povo chinês por qualquer desconforto causado pelas recentes declarações de nosso jogador Kylian Mbappé. Nosso clube mantém um profundo respeito pela China, sua história, sua cultura e seus cidadãos, assim como pelos milhões de torcedores chineses que sentem carinho e admiração pelo Real Madrid", acrescentou a equipe espanhola.

A LaLiga, organizadora do Campeonato Espanhol, também se desculpou e criou uma unidade de crise para acompanhar o caso. O presidente da liga, Javier Tebas, considerou viajar à China para negociar uma solução.

Consequências Comerciais e Esportivas

A rápida repercussão na China, com indignação nas redes sociais, afastamento de empresas e restrições em plataformas digitais, segue um roteiro conhecido. Em menos de 24 horas após a declaração de Mbappé, patrocinadores como Mengniu Dairy, Shanghai Milkground e a fabricante de bebidas Dongpeng Beverage Group encerraram suas parcerias com o atacante. Segundo o jornal francês Le Monde, dois desses contratos somavam cerca de 50 milhões de yuans (aproximadamente 6,7 milhões de euros).

A televisão estatal chinesa CCTV retirou do ar publicidade relacionada a Mbappé e suspendeu as transmissões de partidas da LaLiga. Plataformas chinesas de redes sociais restringiram o acesso às contas do jogador. A plataforma Migu retirou de sua programação o jogo entre Real Madrid e Racing Santander, embora mantivesse outras partidas da rodada.

O rompimento também afeta o Real Madrid, que recebe uma parcela dos rendimentos de patrocínios pessoais de Mbappé. O clube, cujo maior mercado internacional é a China, com cerca de 97 milhões de torcedores, mantém acordos comerciais com empresas chinesas.

O Padrão de Crises na China

Analistas apontam que o episódio é um lembrete dos riscos comerciais no mercado chinês, seguindo um padrão de reações rápidas e severas a declarações consideradas ofensivas. Casos anteriores incluem o cancelamento do desfile da Dolce & Gabbana em Xangai (2018), pedidos de desculpas de marcas como Versace e Dior (2019), e boicotes contra H&M e Nike.

Especialistas ressaltam que, embora a indignação possa ser amplificada pela mídia estatal, é crucial para celebridades e empresas entenderem a cultura e as reações do público chinês. "Você não precisa pensar como um chinês para ter sucesso na China, mas precisa entender como o público chinês vai reagir e as implicações culturais de não fazer esse autocontrole", afirma Michael MacRitchie, fundador do MGI Group.

A falta de clareza nas "linhas vermelhas" políticas e culturais da China torna a navegação ainda mais complexa. "Não existe uma regra escrita em preto e branco sobre o que ultrapassa o limite", explica Wei Kan, fundador da consultoria Conduit Asia, ressaltando que o limite muda conforme o humor dos consumidores e a amplificação da mídia. Para empresas estrangeiras, as sensibilidades chinesas não deveriam ser uma surpresa, e mecanismos como contratos com cláusulas comportamentais e planejamento de resposta a crises tornam-se cada vez mais necessários para evitar retaliações "extraordinariamente dolorosas e rápidas".

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