Tecnologia & NegóciosRelevância BR: 9/10

Marisa aposta em "prateleira do meio" para virada após prejuízo bilionário

05 de novembro de 2026
Marisa aposta em "prateleira do meio" para virada após prejuízo bilionário

Destaques

  • •Lojas Marisa busca se reposicionar no varejo de moda brasileiro, focando em um público de "prateleira do meio" após registrar prejuízo de R$ 520 milhões em 2023.
  • •A estratégia inclui redução de preços, simplificação de lojas, corte de custos e diversificação de sortimento para atrair a mulher da classe C, além de públicos masculino e infantil.
  • •A empresa projeta que a consolidação dos resultados e a reversão do balanço levarão de um a dois anos, com divulgação do balanço do terceiro trimestre em 12 de novembro.

Em meio a uma crise financeira que se arrasta por mais de uma década e com histórico de alta rotatividade de CEOs, a Lojas Marisa anuncia uma nova estratégia para recuperar seu espaço no varejo de moda brasileiro. Após registrar um prejuízo de R$ 520 milhões em 2023, a companhia reconhece a necessidade de recalibrar seu tamanho e se posiciona na chamada "prateleira do meio" do mercado. A meta é atender um público que busca qualidade superior às marcas populares, mas que encontra dificuldades para consumir nas redes líderes como Riachuelo, C&A e Renner.

A nova abordagem envolve um conjunto de ações práticas. Os preços serão significativamente reduzidos, as lojas passarão por um processo de simplificação e os custos serão cortados. O sortimento de produtos será reavaliado, com oportunidades para atender também o público masculino e infantil, sempre com foco na mulher da classe C. "Estamos buscando essa coluna do meio, para oferecer uma moda acessível para a cliente mais popular e que seja um bom custo-benefício para a mais posicionada. Eu vejo isso como um oceano azul", afirma Edson Garcia, CEO da Marisa.

Redução de tamanho e otimização de lojas

Uma das medidas cruciais para a virada é a redução do parque de lojas. A Marisa, que já operou com 416 unidades há uma década, hoje conta com 206. O CEO indica que esse número pode diminuir ainda mais, caso as unidades não apresentem rentabilidade. "Se a rentabilidade não vem, a gente toma uma decisão, de forma pragmática, de não ficar com um parque de lojas que puxa a gente para baixo. A gente precisa rentabilizar a empresa", declarou Garcia. Somente em sua gestão, cerca de 20 lojas foram fechadas.

Um exemplo dessa reestruturação foi o fechamento de uma loja flagship na Avenida Paulista, em São Paulo. A unidade, com 1,2 mil m² e três andares, era considerada simbólica, mas apresentava baixa rentabilidade e um layout considerado ruim. Uma outra loja da Marisa na mesma avenida, a pouco mais de um quilômetro de distância, absorveu a maior parte dos clientes e teve um crescimento de 30%. "Nenhuma outra grande varejista de moda tinha duas lojas na Paulista. E a gente já percebeu uma migração importante para a outra unidade. Uma decisão dessa é difícil, mas necessária", explicou o CEO.

Impacto da taxa das blusinhas e próximos passos

O CEO da Marisa vê o fim da taxa das blusinhas como um ponto favorável para a empresa, pois acredita que a Marisa será menos afetada do que outras varejistas. "Apoiamos o movimento do setor. Seria importante ter isonomia e não uma concorrência desleal. A Marisa se defende disso a partir do novo posicionamento de preço. Quem tem renda menor, arrisca menos. E aí prefere comprar de uma loja física que de uma plataforma asiática. Neste ponto, a gente sofre menos", disse Garcia.

Atualmente, os preços da Marisa são cerca de 20% mais baixos que os das líderes e 20% acima das lojas populares. No entanto, a consolidação do plano e a reversão do balanço financeiro exigirão tempo. Edson Garcia estima que serão necessários de um a dois anos para que a empresa atinja o ponto de equilíbrio. "Vejo um caminho de médio prazo para sair desta situação. Mas a consistência é o mais importante. Não vemos essa mudança em dois ou três trimestres. Talvez em um ou dois anos", afirmou.

A reestruturação também atingiu a governança, com a redução de 14 para cinco diretorias. Recentemente, Guilherme de Biagi Pereira, ex-Ri Happy, foi nomeado CFO, trazendo experiência em varejo e reestruturação. No segundo trimestre de 2026, a empresa reportou prejuízo líquido de R$ 68,4 milhões, com receita líquida de R$ 386,2 milhões, uma queda de 2,1%. A dívida líquida atingiu R$ 394,8 milhões. O balanço do terceiro trimestre será divulgado em 12 de novembro.

Receba as Melhores Notícias

Assine nossa newsletter e receba diariamente as notícias mais relevantes, sem viés político.

Edição matinal diária às 07:00 • 7 minutos de leitura • Gratuita.

Notícias Relacionadas

Marisa aposta em "prateleira do meio" para virada após prejuízo bilionário | AINewz | AINewz — Inteligência de Notícias