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Marcelo Gleiser retorna ao Brasil para compartilhar visões sobre ciência e IA

05 de novembro de 2026
Marcelo Gleiser retorna ao Brasil para compartilhar visões sobre ciência e IA

Destaques

  • •Físico Marcelo Gleiser volta ao Brasil após quase quatro décadas nos EUA para participar de conferência.
  • •Gleiser expressa preocupação com o uso da IA na educação e o potencial de afetar a capacidade criativa humana.
  • •Cientista lançará livro sobre a morte e discute o futuro da ciência com o avanço da inteligência artificial.

O físico e professor Marcelo Gleiser, radicado nos Estados Unidos desde 1986, retorna ao Brasil para participar do HSM+, conferência de gestão e negócios em São Paulo. Após quase quatro décadas dedicadas à pesquisa acadêmica em instituições como o Dartmouth College, Gleiser sente que o Brasil está "explodindo de coisas boas" e deseja se envolver mais com o país.

Gleiser, que já publicou mais de 14 livros e ganhou o Prêmio Templeton, considerado o "Nobel do diálogo entre ciência e religião", se define como um questionador. Ele se dedica a desvendar os mistérios da origem do universo, da vida e da consciência humana. Atualmente, lidera o Island of Knowledge, um think tank na Itália voltado para lideranças corporativas, enquanto aguarda o título de professor emérito em 2027.

Novos rumos e reflexões sobre a vida

O cientista se prepara para lançar seu próximo livro, com previsão para o ano que vem pela Editora Record, que abordará a questão da morte. A obra, provisoriamente intitulada "Quando o Coração Toca o Céu", é descrita por ele como a mais filosófica e existencial de sua carreira.

Em entrevista à Forbes Brasil, Gleiser comentou sobre o Movimento Antidistópico, que criou nas redes sociais. Ele defende um "otimismo ativo" e a construção de uma visão positiva para o futuro, contrastando com a política de "Destruição Mutuamente Assegurada" (MAD) da Guerra Fria. O movimento busca compartilhar aspectos positivos da ciência, natureza e humanidade, incentivando a participação das pessoas.

O impacto da Inteligência Artificial

Marcelo Gleiser expressou preocupação com o avanço da Inteligência Artificial (IA), especialmente com ferramentas como o ChatGPT. Ele alerta que a capacidade de engajamento desses algoritmos com os humanos aumentou significativamente, passando de uma estratégia de sedução da atenção para uma de sedução do afeto. Isso pode ser perigoso para indivíduos emocionalmente vulneráveis, que podem buscar terapia em IAs, as quais, segundo ele, funcionam como um espelho, oferecendo o que o usuário quer ouvir, mas sem a cura real.

Na educação, Gleiser critica a falta de preparo das instituições para ensinar o pensamento crítico necessário para distinguir ferramentas úteis de armadilhas. Ele acredita que delegar a capacidade criativa a máquinas impede a evolução humana, pois a criatividade é o que distingue os seres humanos dos outros animais.

O futuro da ciência e a nova geração

O físico observa que a dinâmica professor-aluno mudou, com maior cuidado com a linguagem e a forma de ensinar, embora isso possa afetar a espontaneidade. Ele ressalta que a capacidade criativa intrínseca não mudou desde a Grécia Antiga, mas o contexto e as ferramentas disponíveis sim.

Gleiser destaca que a ciência se tornou mais acessível com as tecnologias digitais e a mineração de dados, permitindo que máquinas resolvam equações complexas rapidamente. Ele espera que essa liberdade de tempo extra permita aos cientistas serem mais criativos, pois, embora algoritmos sejam eficientes em lógica e dedução, a "sacada criativa" e o "insight" são características humanas que ele espera que as máquinas nunca consigam replicar.

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