Lula vence eleição e se junta a onda global contra o trumpismo
Destaques
- •Vitória de Lula no Brasil é vista como parte de um movimento global de rejeição a líderes alinhados a Donald Trump.
- •Eleições em outros países e pesquisas indicam um possível declínio na influência do 'trumpismo' global, com foco em questões como custo de vida.
- •O resultado das eleições de meio de mandato nos EUA e a relação com a China serão pontos de atenção nos próximos meses.
O presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva conquistou um quarto mandato no Brasil no último domingo, em uma eleição que pegou o mercado de surpresa. A vitória de Lula sobre o candidato de direita Flávio Bolsonaro foi interpretada como um desafio à influência de Donald Trump na América Latina e um sinal de uma guinada global para longe do chamado 'trumpismo'. Lula fez campanha com o lema da soberania nacional, afirmando que o Brasil "não era quintal de ninguém".
A eleição brasileira se insere em um contexto de outras derrotas recentes de aliados internacionais de Trump, indicando uma tendência global. Na Europa, a União Europeia e o Canadá se comprometeram a aprofundar laços em defesa e segurança, em uma estratégia que parece contrastar com a abordagem americana. Líderes estrangeiros, embora evitem comentar diretamente as eleições americanas, expressam um desejo por um "reequilíbrio da política americana" para aliviar tensões internacionais e o "clima de medo" sob a administração Trump.
Rejeição ao populismo e ao trumpismo global
Governos asiáticos, que assinaram acordos comerciais com os EUA sob Trump, observam com cautela a possibilidade de o enfraquecimento do ex-presidente americano reduzir a pressão por ratificação. A África do Sul, que foi alvo de críticas de Trump, espera que uma possível derrota republicana nas eleições de meio de mandato nos EUA possa desviar o foco de sua própria situação interna.
Na Sérvia, o líder Aleksandar Vucic, com relações próximas a figuras ligadas a Trump, foi derrotado por eleitores cansados de seus anos no cargo, em um movimento que a revista Der Spiegel ligou a uma possível "queda dos autocratas da Europa". Na Hungria, Viktor Orban, saudado por círculos MAGA, foi derrotado por um candidato pró-UE. No Reino Unido, o partido populista Reform, de Nigel Farage, um aliado de Trump, cedeu a liderança nas pesquisas para o Partido Trabalhista, que promete se aproximar da União Europeia.
Fatores que moldam o cenário global
Os mesmos fatores que impulsionaram esses episódios globais também estão em jogo nas eleições de meio de mandato dos EUA, onde um terço do Senado e todas as cadeiras da Câmara estão em disputa. Pesquisas indicam que o Partido Republicano pode perder o controle de pelo menos uma das casas do Congresso, sugerindo que o fascínio por Trump pode ter diminuído.
A questão do custo de vida emergiu como uma preocupação central em uma pesquisa global, superando a imigração, uma bandeira emblemática de Trump. Essa mudança de foco pode impactar a base eleitoral republicana nos EUA.
O futuro das relações internacionais e a China
Apesar da aparente tendência de declínio do 'trumpismo', seus valores ainda se mostram atraentes em diversas partes do mundo. Na Austrália, o partido One Nation ganhou popularidade com políticas anti-imigração e negacionismo climático. Na Alemanha, o partido de extrema direita AfD tem força, e na França, Marine Le Pen tem chances de vencer a presidência. Benjamin Netanyahu segue no comando de Israel, alardeando sua proximidade com Trump.
Enquanto isso, as relações entre EUA e China se estabilizaram, com planos de encontros entre os presidentes Xi Jinping e Trump. No entanto, a concorrência persiste, com projeções indicando que a China liderará em diversas tecnologias estratégicas até 2030. Uma análise de dados do Tesouro dos EUA mostra que aliados americanos, como Japão e Coreia do Sul, compraram o menor volume de Treasuries em cinco anos, indicando uma pressão para contrapor possíveis perturbações presidenciais após as eleições americanas.
O chanceler alemão alertou para a "erosão de uma ordem internacional", sem mencionar o papel de Washington nesse cenário, focando em China e Pequim. A dinâmica geopolítica global permanece em evolução, com os resultados das eleições americanas e a relação com a China como pontos cruciais a serem observados.



