Lula promete responsabilidade fiscal e busca base aliada para 4º mandato

Destaques
- •Presidente Lula anuncia compromisso com responsabilidade fiscal e promete não haver "estelionato eleitoral" em seu quarto mandato.
- •O governo busca negociar com partidos do centro para formar uma base aliada sólida no Congresso, visando aprovar pautas econômicas.
- •O pronunciamento de Lula e as articulações políticas ocorrem em um cenário de tensão nos mercados e com desafios na condução da política econômica.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prometeu nesta quinta-feira (5) demonstrar responsabilidade fiscal e manter as promessas de campanha durante seu quarto mandato. A declaração foi feita após reunião com assessores e nomes ligados à economia no Palácio do Alvorada. Lula pretende, em pronunciamento à nação no próximo domingo (8), garantir que não haverá "estelionato eleitoral" e anunciar medidas para o cumprimento das metas fiscais, preservando programas sociais.
A intenção do governo é garantir a geração de superávits primários ao longo de todo o mandato, com previsão de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) para 2027. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, já iniciou conversas com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para negociar a aprovação de medidas fiscais ainda neste ano.
Busca por base aliada no Congresso
Paralelamente, o presidente do PT, Edinho Silva, foi encarregado de discutir a formação da base aliada para o quarto mandato. Ele tem se reunido com dirigentes de partidos como Podemos, PSD, MDB e União Brasil para mapear a agenda das legendas e identificar pontos de convergência. A regra imposta pelo PT é que os partidos que compuserem a base deverão entregar, na prática, mais votos em pautas de interesse do governo no Congresso Nacional, buscando superar a oposição fortalecida nas últimas eleições.
O objetivo é garantir uma adesão real e evitar o modelo de negociação de cargos adotado anteriormente. O MDB, por meio de seu presidente Baleia Rossi, já se colocou à disposição para "garantir a estabilidade para o país" e aprovar agendas de consenso, especialmente na área econômica.
Desafios na condução econômica
A reunião com os nomes que devem conduzir a política econômica ocorreu em um cenário de tensão nos mercados. Após a confirmação da reeleição de Lula, o Ibovespa registrou forte queda, e o dólar comercial fechou em alta. A pressão foi atribuída à piora do ambiente em Nova York, com aumento da aversão ao risco em mercados emergentes.
A equipe econômica ainda não está definida, com especulações sobre a sucessão no Ministério da Fazenda. Nomes como o do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) são cotados. A orientação adotada no terceiro mandato, caracterizada pela utilização do gasto público e de programas sociais como estratégias de estímulo, deve ter continuidade.
Dario Durigan afirmou após o encontro que houve "elevada convergência" sobre as diretrizes econômicas, mas que medidas específicas não foram discutidas. O governo busca assegurar superávits primários e cumprir o centro da meta fiscal, apesar das críticas de que a busca por equilíbrio fiscal e o cumprimento de promessas de campanha podem ser contraditórios.
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