Lula exalta André Janones como "general" da mobilização digital em discurso de vitória

Destaques
- •Deputado André Janones foi celebrado pelo presidente Lula em São Paulo como "general" da mobilização digital na campanha de reeleição.
- •Janones ganhou protagonismo após o primeiro turno, usando um estilo combativo nas redes sociais que mobilizou mais de 10 milhões de seguidores no "Exército do Lula".
- •Integrantes da campanha defendem que Janones ocupe um cargo no governo, e o PT cogita convidá-lo a retornar ao partido.
O deputado federal André Janones (Rede) foi celebrado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um dos protagonistas da mobilização digital que garantiu a reeleição do petista. Em discurso na Avenida Paulista, em São Paulo, na madrugada de segunda-feira (26), Lula chamou Janones ao palco, sob gritos de "Janones, Janones" da plateia, e o descreveu como seu "general", responsável pelo canal de WhatsApp "Exército do Lula", que alcançou mais de 10 milhões de seguidores no segundo turno.
"O nosso exército é o exército da dignidade, da democracia, da educação e da saúde", declarou o presidente, reconhecendo a importância do deputado na campanha.
Ascensão na campanha e estilo combativo
A homenagem coroou uma mudança significativa no papel de Janones. Inicialmente à margem das decisões de comunicação digital, o deputado ganhou destaque após Lula sair em desvantagem no primeiro turno. Ele mobilizou apoiadores nas redes com um estilo combativo que, até então, gerava resistência em setores do PT.
Após a vitória, Janones recusou o título de "o cara da virada", atribuindo o resultado à força de Lula. "A energia vem dele, a força vem dele. Eu recebi a missão de canalizar isso", afirmou, descrevendo sua atuação como uma reação aos ataques dos adversários: "A gente reagiu à covardia".
Trajetória e possível retorno ao PT
Integrantes da campanha de Lula, ouvidos sob reserva, defenderam que Janones ocupe um cargo no governo durante o quarto mandato. Membros do PT também expressaram a intenção de convidar Janones a retornar ao partido, ao qual já foi filiado. Essa possibilidade marca mais uma reviravolta na trajetória do advogado, que ganhou projeção nacional nas redes sociais antes de chegar à Câmara dos Deputados.
Nascido em Ituiutaba (MG), Janones estudou em escolas públicas e trabalhou desde jovem. Cursou direito com bolsa parcial e atuou como cobrador de ônibus e assessor parlamentar. Em 2009, abriu um escritório de advocacia, oferecendo ações gratuitas para quem precisava de medicamentos ou cirurgias.
Projeção nacional e aliança com Lula
Em 2018, Janones ganhou notoriedade nacional com vídeos de apoio à greve dos caminhoneiros e foi eleito deputado federal por Minas Gerais. Durante a pandemia, ampliou sua presença nas redes defendendo o Auxílio Emergencial. Em 2022, lançou candidatura à Presidência, mas desistiu para apoiar Lula, definindo-se como "nem de direita, nem de esquerda" e sendo visto como uma potência digital capaz de competir com a influência de Jair Bolsonaro.
Na campanha de 2022, tornou-se um dos principais aliados de Lula no combate ao bolsonarismo na internet. Seu estilo agressivo gerou resistência no PT, que temia efeitos negativos na imagem de Lula. Janones chegou a criticar a esquerda por "viver em uma bolha" e defender uma comunicação mais alinhada com as redes sociais.
Investigações e medidas protetivas
A trajetória de Janones também foi marcada por investigações. Em 2023, o portal "Metrópoles" divulgou áudios sobre a prática de "rachadinha" em seu gabinete. Em março de 2025, o ministro Luiz Fux, do STF, homologou um acordo de não persecução penal, no qual Janones reconheceu que um assessor pagou despesas pessoais e se comprometeu a desembolsar R$ 157,8 mil para evitar um processo criminal.
Janones também foi alvo de uma medida protetiva obtida por sua ex-companheira, a prefeita de Ituiutaba, Leandra Guedes, em abril de 2025. Ela o acusou de usar imagens íntimas para chantageá-la. A Justiça proibiu o deputado de se aproximar dela e de divulgar registros de intimidade. Janones negou as acusações e afirmou ser vítima de uma armação.



