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Lula exalta André Janones como "general" da mobilização digital em discurso de vitória

27 de outubro de 2026
Lula exalta André Janones como "general" da mobilização digital em discurso de vitória

Destaques

  • •Deputado André Janones foi celebrado pelo presidente Lula em São Paulo como "general" da mobilização digital na campanha de reeleição.
  • •Janones ganhou protagonismo após o primeiro turno, usando um estilo combativo nas redes sociais que mobilizou mais de 10 milhões de seguidores no "Exército do Lula".
  • •Integrantes da campanha defendem que Janones ocupe um cargo no governo, e o PT cogita convidá-lo a retornar ao partido.

O deputado federal André Janones (Rede) foi celebrado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um dos protagonistas da mobilização digital que garantiu a reeleição do petista. Em discurso na Avenida Paulista, em São Paulo, na madrugada de segunda-feira (26), Lula chamou Janones ao palco, sob gritos de "Janones, Janones" da plateia, e o descreveu como seu "general", responsável pelo canal de WhatsApp "Exército do Lula", que alcançou mais de 10 milhões de seguidores no segundo turno.

"O nosso exército é o exército da dignidade, da democracia, da educação e da saúde", declarou o presidente, reconhecendo a importância do deputado na campanha.

Ascensão na campanha e estilo combativo

A homenagem coroou uma mudança significativa no papel de Janones. Inicialmente à margem das decisões de comunicação digital, o deputado ganhou destaque após Lula sair em desvantagem no primeiro turno. Ele mobilizou apoiadores nas redes com um estilo combativo que, até então, gerava resistência em setores do PT.

Após a vitória, Janones recusou o título de "o cara da virada", atribuindo o resultado à força de Lula. "A energia vem dele, a força vem dele. Eu recebi a missão de canalizar isso", afirmou, descrevendo sua atuação como uma reação aos ataques dos adversários: "A gente reagiu à covardia".

Trajetória e possível retorno ao PT

Integrantes da campanha de Lula, ouvidos sob reserva, defenderam que Janones ocupe um cargo no governo durante o quarto mandato. Membros do PT também expressaram a intenção de convidar Janones a retornar ao partido, ao qual já foi filiado. Essa possibilidade marca mais uma reviravolta na trajetória do advogado, que ganhou projeção nacional nas redes sociais antes de chegar à Câmara dos Deputados.

Nascido em Ituiutaba (MG), Janones estudou em escolas públicas e trabalhou desde jovem. Cursou direito com bolsa parcial e atuou como cobrador de ônibus e assessor parlamentar. Em 2009, abriu um escritório de advocacia, oferecendo ações gratuitas para quem precisava de medicamentos ou cirurgias.

Projeção nacional e aliança com Lula

Em 2018, Janones ganhou notoriedade nacional com vídeos de apoio à greve dos caminhoneiros e foi eleito deputado federal por Minas Gerais. Durante a pandemia, ampliou sua presença nas redes defendendo o Auxílio Emergencial. Em 2022, lançou candidatura à Presidência, mas desistiu para apoiar Lula, definindo-se como "nem de direita, nem de esquerda" e sendo visto como uma potência digital capaz de competir com a influência de Jair Bolsonaro.

Na campanha de 2022, tornou-se um dos principais aliados de Lula no combate ao bolsonarismo na internet. Seu estilo agressivo gerou resistência no PT, que temia efeitos negativos na imagem de Lula. Janones chegou a criticar a esquerda por "viver em uma bolha" e defender uma comunicação mais alinhada com as redes sociais.

Investigações e medidas protetivas

A trajetória de Janones também foi marcada por investigações. Em 2023, o portal "Metrópoles" divulgou áudios sobre a prática de "rachadinha" em seu gabinete. Em março de 2025, o ministro Luiz Fux, do STF, homologou um acordo de não persecução penal, no qual Janones reconheceu que um assessor pagou despesas pessoais e se comprometeu a desembolsar R$ 157,8 mil para evitar um processo criminal.

Janones também foi alvo de uma medida protetiva obtida por sua ex-companheira, a prefeita de Ituiutaba, Leandra Guedes, em abril de 2025. Ela o acusou de usar imagens íntimas para chantageá-la. A Justiça proibiu o deputado de se aproximar dela e de divulgar registros de intimidade. Janones negou as acusações e afirmou ser vítima de uma armação.

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