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Lula critica Dilma e acusa EUA de quererem dominar a América Latina, diz livro

06 de novembro de 2026
Lula critica Dilma e acusa EUA de quererem dominar a América Latina, diz livro

Destaques

  • •Em livro, presidente Luiz Inácio Lula da Silva relata críticas à ex-presidente Dilma Rousseff e ao papel dos Estados Unidos na América Latina.
  • •Lula teria dito que Dilma tinha dificuldade em decidir e que o impeachment foi resultado de sua recusa em negociar com Eduardo Cunha.
  • •O livro também registra declarações de Lula sobre a influência dos EUA na região e críticas a Sergio Moro e Deltan Dallagnol.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez críticas à ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e à influência dos Estados Unidos na América Latina, segundo relatos contidos no livro "Banho de Sol – os 580 dias de Lula na prisão", escrito pelo policial federal Jorge Chastalo Filho. As declarações foram feitas durante o período em que Lula esteve preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba (PR), entre abril de 2018 e novembro de 2019.

Em conversas registradas por Chastalo, Lula teria afirmado que Dilma Rousseff "é muito boa para cumprir ordens, mas não para decidir". Ele também atribuiu o impeachment da petista à decisão dela de não negociar com o então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Segundo o relato, Lula teria dito que Dilma "entrou em uma disputa política sem ter apoio suficiente" e que, se tivesse "lido [A Arte da Guerra, de Sun Tzu] e aplicado alguns ensinamentos desse livro", não teria sofrido o impeachment.

Críticas à atuação de Dilma e Eduardo Cunha

A conversa que gerou as declarações sobre Dilma ocorreu em 19 de outubro de 2018. Lula teria relatado que o PT optou pela lealdade e honra ao não aceitar um acordo com Eduardo Cunha, a quem acusou de querer "continuar roubando". O ex-presidente avaliou que Dilma "se recusou a conversar com o Eduardo Cunha", que, por sua vez, teria dito que colocaria o impeachment para votação se fosse contra ele. Lula mencionou que Dilma tinha "pouca gente ao seu lado para brigar, menos de 70 deputados e alguns medalhões".

O impeachment de Dilma Rousseff foi aberto em 2015, após Eduardo Cunha aceitar denúncia por crime de responsabilidade relacionada a decretos de crédito suplementar e às "pedaladas fiscais". Em agosto de 2016, o Senado aprovou o afastamento definitivo da presidente por 61 votos a 20, e o vice Michel Temer (MDB) assumiu o cargo.

Acusações contra os Estados Unidos e Lava Jato

Em outra conversa, registrada em janeiro de 2019 com o ex-ministro Aloizio Mercadante e o deputado Rui Falcão, Lula associou o então juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol aos interesses dos Estados Unidos. "O Moro e o Dallagnol só podem ser braços dos americanos por aqui, o Trump quer dominar completamente a América Latina", teria dito Lula, segundo o livro. Ele criticou a intenção americana de "acabar com a esquerda" na região e acusou setores da direita de apoiarem Donald Trump sem perceber que os EUA "nunca irão renunciar ao conforto deles para alimentar uma criança latina".

Lula também teria defendido que o PT concentrasse críticas em Dallagnol e acompanhasse a atuação de Moro, que, segundo ele, havia se tornado uma "presa fácil" ao deixar a magistratura para assumir o Ministério da Justiça no governo de Jair Bolsonaro. O petista declarou ter como objetivo atingir a carreira e a reputação de Dallagnol, criticando o fato de o procurador ter classificado o PT como uma quadrilha de ladrões.

O livro também relata que, em setembro de 2018, Lula teria contado sobre uma "briga boa" com o então presidente Barack Obama a respeito do uso do dólar no comércio internacional. Lula questionou por que transações entre países precisavam ser feitas na moeda americana e declarou que ajudou a criar o bloco dos Brics para fortalecer países como Brasil e Índia, e que os EUA não queriam que o grupo crescesse.

Repercussão e contextualização

Eduardo Cunha discordou dos relatos do livro, afirmando que Lula ou Chastalo mentem. Ele citou um encontro na casa do empresário Joesley Batista, onde Lula teria proposto barrar o processo de impeachment, proposta que, segundo Cunha, foi recusada por ele. Cunha acusou Lula de manter seu "hábito de mentir" e criticou o livro como uma "tentativa de levantar a bandeira do lava jatismo daquela quadrilha de Curitiba".

A assessoria de imprensa de Dilma Rousseff, que preside o Banco dos Brics, não respondeu aos contatos do Poder360 até a publicação da reportagem. A equipe de Sergio Moro informou que não comentaria "supostas declarações de Lula citadas por terceiros". Deltan Dallagnol, por nota, afirmou que "quem trabalha contra o Brasil é quem rouba o povo brasileiro, protege corruptos e coloca interesses políticos acima do interesse nacional", e que a Lava Jato recuperou 25 bilhões de reais.

O livro "Banho de Sol" reúne registros de Jorge Chastalo Filho sobre a rotina de Lula na prisão, incluindo alimentação, exercícios, leituras e conversas. O autor reconhece em sua introdução a possibilidade de imprecisões nas falas, pois algumas conversas foram anotadas horas ou dias depois de terem ocorrido. Lula deixou a prisão em 8 de novembro de 2019, após decisão do STF sobre a execução da pena. Em 2021, o Supremo anulou as condenações do petista relacionadas à Lava Jato.

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