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BRB estuda PDV e privatização parcial para cobrir rombo de R$ 8 bilhões

06 de novembro de 2026
BRB estuda PDV e privatização parcial para cobrir rombo de R$ 8 bilhões

Destaques

  • •Banco de Brasília (BRB) avalia programa de demissão voluntária e busca sócio externo para lidar com déficit financeiro.
  • •Instituição tenta há quase um ano empréstimos para cobrir rombo estimado em R$ 8 bilhões, com dificuldades devido ao cenário político e resistência de bancos.
  • •Venda de ativos ao BTG Pactual e pedido de bloqueio de bens de Daniel Vorcaro são alternativas para tentar evitar liquidação.

O Banco de Brasília (BRB) estuda a implementação de um Programa de Demissão Voluntária (PDV) para o início de 2027 e busca alternativas no mercado externo para enfrentar uma grave situação financeira, com um rombo estimado em, no mínimo, R$ 8 bilhões. A instituição acumula problemas há mais de um ano, sem divulgar relatórios financeiros e tentando, há quase 12 meses, obter empréstimos junto a bancos privados ou ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Fontes indicam que o déficit pode ser ainda maior.

O cenário político também complica a situação. A governadora eleita do Distrito Federal, Celina Leão (PP), que apoiava a candidatura de Flávio Bolsonaro, via na proximidade com o governo federal uma forma de obter garantias para os empréstimos. Com o resultado das eleições, esse caminho ficou mais difícil, o que levou o BRB a considerar a abertura ao mercado externo, incluindo a possibilidade de privatização parcial com a entrada de um sócio externo, mantendo o governo do Distrito Federal como acionista principal. O PDV poderia abranger entre 15% e 20% dos funcionários.

Venda de ativos e busca por socorro

O BTG Pactual avança na compra de carteiras do BRB, incluindo mais de 50% da carteira de crédito imobiliário e outros ativos como terrenos. Essas operações visam ampliar a sobrevida da instituição pública, sem mudança de controle. As aquisições, que ocorrem com descontos, ajudam a manter o caixa do banco e a evitar uma liquidação imediata, um dos maiores temores da governadora Celina Leão.

A situação financeira do BRB é crítica, com muitos clientes retirando recursos. A venda de ativos sólidos é vista como a única saída viável para resolver o problema, embora não solucione a questão de fundo. O banco não foi considerado insolvente devido aos padrões de Basileia e aos depósitos judiciais, estimados em cerca de R$ 30 bilhões.

Impasse com garantias e investigações

O governo do DF recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo um empréstimo de R$ 6,6 bilhões ao FGC para capitalizar o BRB, mas não obteve o dinheiro devido à resistência dos bancos em conceder a garantia. O Tesouro negou aval da União a um empréstimo, pois o DF recebeu nota “C” de Capacidade de Pagamento (Capag), inviabilizando a garantia. Integrantes do Tribunal de Contas identificaram um rombo de R$ 5,5 bilhões nas contas distritais.

Ontem, o Distrito Federal pediu ao STF que o valor de R$ 2,245 bilhões em bens e contas bloqueadas do pai de Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro, seja transferido integralmente para o BRB, reconhecendo a instituição e o DF como vítimas de condutas investigadas. A Polícia Federal indiciou o banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa por crimes financeiros na venda de R$ 17,5 bilhões em carteiras de crédito ao banco público do Distrito Federal.

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