Economia & PolíticaRelevância BR: 9/10

Lula aposta em pragmatismo com Trump e reforça laços com China

28 de outubro de 2026

Destaques

  • •Brasil busca relação pragmática com EUA de Trump, focando em comércio e cooperação, apesar de divergências ideológicas.
  • •Governo Lula prioriza aprofundar laços com a China, principal parceira comercial, e expandir atuação no Sudeste Asiático.
  • •A relação com os EUA sob Trump dependerá se Washington priorizará ideologia ou objetividade nas negociações.

O terceiro mandato do presidente Lula (PT) navega em águas complexas na relação com os Estados Unidos, especialmente com a perspectiva de um novo governo de Donald Trump a partir de 2025. Enquanto a agenda ambiental marcou o início do governo Lula em 2023, a possível volta de Trump ao poder traz à tona temas como tarifas comerciais e a Lei Magnitsky. Com um discurso de denúncia à interferência estrangeira, Lula parte para seu quarto mandato apostando em uma relação pragmática com Washington, independentemente do resultado das eleições de meio de mandato nos EUA, que indicam possível perda de maioria republicana no Congresso.

A política externa americana sob a égide de Trump é vista como um campo minado, gerando incerteza não só para o Brasil, mas para aliados históricos. O Departamento de Estado, sob o secretário Marco Rubio, passou de parceiro estratégico a fonte de ameaça explícita, alterando os cálculos diplomáticos. Internamente, o Itamaraty reconhece as distintas visões sobre multilateralismo e relações bilaterais, mas acredita na possibilidade de navegar bem nas pautas comuns, como segurança pública. O Brasil, contudo, não aderirá ao Escudo das Américas, aliança criada por Trump, mas busca ampliar a cooperação com outros países, como o Chile, governado por José Antonio Kast, e outros países da região que, mesmo de direita, buscam uma boa relação com o governo Lula.

Pragmatismo brasileiro diante de Trump

O Planalto considera que o pragmatismo deve prevalecer, impulsionado pela necessidade mútua de comércio, cooperação e defesa entre Brasil e EUA. A fala de Trump sobre supostas fraudes nas eleições brasileiras de 2026 foi vista como uma manifestação pro forma à ala radicalizada da Casa Branca, sem grandes consequências práticas. O governo brasileiro conta com o respaldo internacional e de relatórios como os do Carter Center para a legitimidade de sua eleição. A derrota de Flávio Bolsonaro nos EUA é vista como um recrudescimento do poder da família Bolsonaro frente a nomes fortes do governo Trump, indicando que Washington deve encarar a realidade da eleição de Lula com boa margem.

China como prioridade e expansão na Ásia

A China, principal parceira comercial do Brasil desde 2009, é uma das prioridades da política externa brasileira. O governo Lula deverá ampliar a atenção ao Sudeste Asiático, reforçando a política de inserção na Ásia e participando da cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) em novembro. A expansão para países como Indonésia, Paquistão, Singapura e Coreia do Sul, marca do Lula 3, visa explorar mercados em ascensão no Oriente, buscando diminuir a dependência da China sem criar contratempos. O presidente chinês, Xi Jinping, parabenizou Lula pela eleição, ressaltando a relevância global da cooperação bilateral como um “exemplo de solidariedade […] entre os países do Sul Global”.

Próximos passos na relação EUA-Brasil

O esforço diplomático do governo Lula deverá considerar a repactuação da conexão com os EUA como uma via de mão dupla. O Planalto espera sinalizações da Casa Branca e não tem receio de negociações sobre terras raras, minerais críticos e tarifas comerciais. O sucesso dependerá se Washington priorizará o impulso ideológico ou a objetividade. O capital também deve seguir em alta em relação aos Brics, plataforma importante para a política externa de todos os governos Lula, independentemente de pressões vindas do governo Trump.

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