Livro de John Kay questiona o capitalismo e o papel do acionista

Destaques
- •John Kay, em "A Corporação no Século 21", argumenta que o capital perdeu sua importância central no mundo dos negócios.
- •O autor critica a visão da empresa como mera teia de contratos e o mantra de maximização de lucro, propondo o "florescimento de seus múltiplos stakeholders" como missão.
- •A obra, publicada na Forbes em setembro de 2026, levanta debates sobre a evolução da governança corporativa e o futuro do capitalismo.
O livro "A Corporação no Século 21", do economista britânico John Kay, questiona pilares fundamentais do capitalismo moderno e da gestão empresarial. A obra, publicada na edição de setembro de 2026 da revista Forbes, propõe uma visão radicalmente diferente sobre o papel do capital, dos acionistas e a própria missão das corporações. Kay sugere que o capital, em sua forma tradicional, perdeu a importância central que um dia teve, desafiando a noção de que o retorno sobre o capital empregado (Roce) é o principal indicador de sucesso.
Kay argumenta que o conceito de "capital as a service", onde o capital é empregado apenas quando necessário, reflete a realidade atual. Ele também desmistifica o poder do acionista, afirmando que, em multinacionais, o acionista tem controle limitado sobre as decisões da empresa, e até mesmo os dividendos são definidos pela diretoria. Essa visão contrasta com teorias clássicas que veem a empresa como uma entidade puramente transacional.
O questionamento da maximização de lucro
O autor critica o mantra da maximização de lucro, que ganhou força nos anos 1970, por considerá-lo uma teoria pouco sólida. Kay levanta a questão sobre qual lucro seria priorizado: o de curtíssimo prazo, que pode comprometer a sustentabilidade futura da empresa, ou um lucro mais abrangente e de longo prazo. Para ele, a busca incessante por um único indicador financeiro pode obscurecer a complexidade e o propósito real das organizações.
Uma nova missão para as corporações
Em contraposição à visão tradicional, Kay propõe que a missão de uma corporação deve ser promover o "florescimento de seus múltiplos stakeholders". Ele defende que a empresa não é apenas uma combinação de relações transacionais, mas sim uma construção de relações sociais, tanto internas, entre seus colaboradores, quanto externas, com a sociedade e o meio ambiente. Essa perspectiva amplia o escopo da responsabilidade corporativa para além dos interesses dos acionistas.
O que diz a pesquisa
Um estudo publicado no Journal of Commerce, Economics & Computer Science em 2025, intitulado "HISTORY, EVOLUTION, AND DEVELOPMENT OF CORPORATE GOVERNANCE: A COMPREHENSIVE RESEARCH REVIEW", traça a evolução da governança corporativa ao longo dos séculos. A pesquisa revisa desde práticas rudimentares em guildas comerciais até os frameworks modernos que visam a ética e a transparência empresarial. O artigo incorpora teorias seminais como a teoria da agência, teoria do stewardship e teoria dos stakeholders, analisando como a governança é medida e os fatores que a influenciam, como regulamentação, cultura e economia. O estudo também aponta questões em aberto para futuras pesquisas na área.
As implicações dessa nova visão para o funcionamento prático das empresas e para a estrutura de governança corporativa são temas que John Kay promete explorar em um volume futuro de sua obra.
Pesquisa citada
- HISTORY, EVOLUTION, AND DEVELOPMENT OF CORPORATE GOVERNANCE: A COMPREHENSIVE RESEARCH REVIEW
Journal of Commerce, Economics & Computer Science · 2025
Matérias originais
- O Que É a Empresa do Século 21? · forbes.com.br


