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Léia Sousa: da Amazônia à vanguarda da tecnologia e inclusão

02 de novembro de 2026
Léia Sousa: da Amazônia à vanguarda da tecnologia e inclusão

Destaques

  • •Léia Sousa, doutora em Informática e professora, "hackeou" o sistema da vida ao superar barreiras socioeconômicas e de gênero na Amazônia para se tornar referência em tecnologia.
  • •A pesquisadora, que leciona na Unifesspa, lidera projetos como o Tecer Mulher, que ensina tecnologia a idosas, e busca aumentar a representatividade feminina no setor de TI, onde mulheres são minoria.
  • •Seu trabalho em inclusão digital e acessibilidade, com iniciativas como aplicativos em Libras e o projeto Divas Digitais, tem sido reconhecido com prêmios e a coloca na lista IT Forum Mulheres.

Léia Sousa, doutora em Informática e professora da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), é um exemplo de superação e inspiração. Nascida em Eldorado do Carajás, no sudeste do Pará, em uma família humilde que vivia do garimpo, ela trilhou um caminho improvável para se tornar uma referência na área de tecnologia e inclusão. "Costumo dizer que ‘hackeei’ o sistema da vida", resume Léia, que enfrentou desafios como a falta de recursos e o machismo no ambiente acadêmico.

A trajetória de Léia começou na década de 1990, em uma escola com poucos computadores, onde seu pai, apesar das dificuldades financeiras, fez questão de que ela fizesse um curso de informática. "Ele deu um jeitinho e eu fiz esse curso", relembra. Crescendo em uma região marcada por dificuldades e com poucas oportunidades, as estatísticas indicavam um futuro diferente para ela. No entanto, sua determinação a levou a concluir o ensino médio e, em seguida, a graduação em Matemática, seguida por Sistemas de Informação. Aos 28 anos, já possuía dois diplomas, conciliando estudo e trabalho e mudando de cidade para buscar formação.

Superando barreiras e ampliando horizontes

As primeiras referências femininas na área de exatas foram fundamentais. Léia cita a professora de Matemática e Zenaide, fundadora do curso em Marabá, como exemplos de resistência. Mais tarde, no mestrado, admirou as professoras Alba e Maria Cecília. A busca por aprofundamento a levou a Brasília, onde foi aprovada na Universidade de Brasília (UnB) em um processo seletivo "às cegas", que considerou mais imparcial. A capital federal ampliou seu universo, oferecendo capacitações gratuitas, aulas de inglês presenciais e o aprendizado de linguagens de programação como C++ e Java, transformando sua visão de mundo.

Durante o mestrado e doutorado, que duraram dez anos, Léia foi frequentemente a única mulher em seu grupo de pesquisa. A insegurança e o receio de expor dúvidas eram comuns, mas ela e as poucas colegas se uniram para estudar juntas, buscando maior desinibição e confiança.

Retorno à Amazônia e impacto social

Apesar da tentação de seguir carreira no Sudeste, Léia optou por retornar ao Pará em 2017 para ficar perto de seus pais idosos, após passar em concurso na Unifesspa. Lá, assumiu disciplinas desafiadoras como Teoria da Computação, demonstrando sua sólida formação. Sua jornada acadêmica hoje envolve cerca de 63 horas semanais, entre aulas, projetos, laboratório e o mestrado.

Na gestão de equipes jovens, Léia prioriza a comunicação aberta e o exemplo, incentivando os alunos a admitirem quando não sabem algo, como primeiro passo para aprender. Ela ensina que o erro também é uma forma de aprendizado e que a inteligência artificial (IA) deve ser encarada como um novo processo a ser aprendido, não temido.

Sua inquietude em contribuir para a sociedade a levou a criar, em 2024, o Tecer Mulher. O projeto capacita mulheres com mais de 60 anos, muitas em situação de vulnerabilidade na Amazônia, no uso seguro de smartphones, aplicativos e serviços digitais. Léia também coordena o desenvolvimento de aplicativos em Libras para instituições municipais e participa do Divas Digitais, voltado para meninas. Atualmente, lidera o grupo de pesquisa "Teia Amazônica – Tecnologias, Educação, Inclusão e Acessibilidade".

Reconhecimento e inspiração para futuras gerações

O Tecer Mulher já colheu frutos, vencendo o Prêmio LED 2026 – Luz na Educação e ficando em segundo lugar na etapa estadual do Prêmio Educador Transformador. Esses prêmios destacam não só a carreira de Léia, mas também colocam a Amazônia no mapa da inovação educacional. Dados da Serasa Experian revelam que apenas 10% dos profissionais de TI na região Norte são mulheres, e no Pará, esse índice cai para cerca de 2%, evidenciando a criticidade da situação.

Para combater essa disparidade, Léia leva para a sala de aula referências de mulheres de destaque na tecnologia e incentiva a participação em comunidades femininas. "Você precisa de uma inspiração", afirma. A menina que deu os primeiros passos na computação em Eldorado do Carajás hoje inspira outras mulheres a trilharem caminhos inéditos na tecnologia, repetindo aos alunos: "Sempre é possível fazer algo inédito, de uma forma ou de outra." Léia Sousa integra a lista IT Forum Mulheres, que destaca 35 mulheres da área de tecnologia.

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