LAREAL lança metodologia para padronizar classificação de fundos imobiliários

Destaques
- •Nova régua visa atrair capital estrangeiro e institucional para o mercado de FIIs no Brasil.
- •Metodologia propõe a 'regra dos 75%' para definir a classe principal do fundo com base em sua receita.
- •Estima-se que 36% dos fundos imobiliários mais líquidos da B3 terão sua classificação alterada.
A Latin America REITs Association (LAREAL), associação que reúne gestoras de fundos imobiliários (FIIs) como Alianza, Patria, Suno e Vinci, lançou uma nova metodologia para padronizar a classificação desses ativos no Brasil. O objetivo é aumentar a robustez e a atratividade do setor para investidores institucionais e estrangeiros, que hoje enfrentam dificuldades devido à falta de um critério único e claro.
A iniciativa surge em um momento de crescimento do mercado de FIIs, que já conta com mais de 3,3 milhões de investidores, sendo 73% pessoas físicas. No entanto, a falta de padronização na rotulagem dos fundos, que podem ser vistos como 'híbridos' em uma corretora e 'multiestratégia' em relatórios da própria gestora, tem sido um entrave para a atração de grandes players globais.
A 'Regra dos 75%' para definir a classe do fundo
A régua proposta pela LAREAL baseia-se na análise das últimas demonstrações financeiras auditadas dos fundos. A metodologia prioriza o resultado do exercício aberto por origem econômica. Caso essa abertura não exista, a composição dos ativos é utilizada como critério secundário.
O ponto central da nova classificação é a chamada “regra dos 75%”. A atividade que gerar pelo menos 75% do resultado imobiliário do ano define a classe principal do fundo. As classes propostas são: Tijolo (receita de aluguel), Papel (receita de juros de crédito imobiliário), Fundo de Fundos (receita de cotas de outros FIIs) e Desenvolvimento (receita da venda de imóveis em estoque).
Se nenhuma dessas quatro atividades atingir 75% do resultado, o fundo é classificado como multiestratégia. Além disso, a metodologia prevê subclasses baseadas nos tipos de ativos, como fundos de tijolo de logística ou lajes corporativas, e fundos de papel atrelados ao CDI ou à inflação.
Impacto da nova classificação e próximos passos
A LAREAL estima que, com a aplicação dessas regras, 110 dos 303 fundos imobiliários mais líquidos da bolsa de valores brasileira (ou 36%) teriam sua classificação alterada. Por exemplo, fundos como VGHF11 e VGPR11, antes rotulados como híbridos, passarão a ser classificados como multiestratégia. Outros, como GARE11, GGRC11, VINO11 e VISC11, deixarão de ser multiestratégia para serem considerados fundos de tijolo.
A metodologia busca aproximar as classificações brasileiras às vistas em mercados internacionais, onde fundos de tijolo são comparáveis aos Equity REITs. A revisão dos rótulos será anual, com possibilidade de revisões extraordinárias em caso de eventos relevantes ou volatilidade significativa.
A nova metodologia já está sendo adotada pelas gestoras associadas à LAREAL, que visa, com essa padronização, facilitar a análise e a tomada de decisão por parte de investidores globais e fundos de pensão, reduzindo custos e aumentando a transparência do mercado de FIIs no Brasil.



