Klabin: Lucro sobe 19% no 3T26, mas custos e El Niño pressionam ações

Destaques
- •Klabin reportou lucro líquido de R$ 393 milhões no 3T26, um avanço de 19% em relação ao mesmo período do ano anterior.
- •Apesar do aumento no lucro, o custo caixa consolidado subiu 8%, impactado por preparativos para o El Niño e inflação de insumos.
- •Analistas mantêm recomendação neutra e focam na gestão de custos e endividamento da companhia.
A Klabin (KLBN11) registrou lucro líquido de R$ 393 milhões no terceiro trimestre de 2026 (3T26), um aumento de 19% em comparação com o mesmo período do ano anterior e acima dos R$ 329,5 milhões esperados pelo consenso do mercado. No entanto, as ações da companhia apresentaram queda de 6% no dia do anúncio, negociadas a R$ 17,56.
Apesar do resultado positivo no lucro líquido, o custo caixa consolidado da empresa aumentou 8% em relação ao trimestre anterior, atingindo R$ 3,5 mil por tonelada. Esse aumento foi parcialmente atribuído aos custos relacionados aos preparativos para o fenômeno El Niño, além da inflação de insumos industriais, como produtos químicos e combustíveis, influenciada por conflitos geopolíticos.
Custos e El Niño em destaque
A XP Investimentos apontou o custo caixa consolidado como um ponto de atenção, com o acumulado nos primeiros nove meses de 2026 ligeiramente acima da projeção da companhia. Os analistas Lucas Laghi, Guilherme Nippes e Fernanda Urbano destacaram a necessidade de acompanhar a evolução dos custos e sua relação com a geração de fluxo de caixa livre (FCF). Uma eventual desvalorização do real poderia oferecer algum suporte financeiro.
O Itaú BBA, por meio do analista Daniel Sasson, informou que o EBITDA ajustado da Klabin ficou em R$ 1,86 bilhão, em linha com a estimativa do banco, mas 2% abaixo do trimestre anterior. A comparação excluiu R$ 64 milhões em vendas de terrenos registradas no segundo trimestre.
O JPMorgan também observou que os segmentos de Papel e Embalagens ficaram abaixo de suas estimativas, enquanto a divisão de Celulose apresentou resultados melhores que o esperado, compensando parcialmente as diferenças. O banco calculou um fluxo de caixa livre (FCF) negativo em R$ 1 milhão, pressionado por investimentos, despesas financeiras e consumo de capital de giro.
Desempenho por segmento
A divisão de Celulose mostrou resiliência, impulsionada pelos preços da celulose fluff, utilizada em produtos absorventes. O EBITDA neste segmento ficou 8,2% acima da estimativa do JPMorgan, com volumes e preços realizados superiores ao esperado. O Goldman Sachs destacou a realização de preços na celulose fluff como o principal ponto positivo do trimestre, com um diferencial de US$ 30 por tonelada acima da estimativa do banco.
No segmento de papel, o kraftliner continuou apresentando bom desempenho, com alta de 7% nos preços em relação ao trimestre anterior. O papel-cartão revestido também demonstrou melhora. Contudo, os custos e despesas mais elevados com os preparativos para o El Niño, a parada para manutenção da unidade de Otacílio Costa e a inflação dos insumos compensaram os maiores volumes e preços neste setor.
Perspectivas e recomendações
Para os próximos trimestres, a XP Investimentos espera que o foco dos investidores permaneça na trajetória de redução do endividamento da Klabin e no comportamento dos custos, especialmente em caso de desaceleração da demanda doméstica. O Itaú BBA, JPMorgan e Goldman Sachs reiteraram recomendação neutra para as ações da companhia, com preços-alvo de R$ 21, R$ 19 e R$ 18,50, respectivamente.



