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Justiça Federal torna 12 da Voepass réus por queda de avião que matou 62

22 de outubro de 2026
Justiça Federal torna 12 da Voepass réus por queda de avião que matou 62

Destaques

  • •Doze integrantes da Voepass foram denunciados pela Justiça Federal por envolvimento na queda de avião em Vinhedo (SP) que matou 62 pessoas.
  • •O MPF aponta que a empresa priorizava lucro em detrimento da manutenção de aeronaves, com equipamentos essenciais inoperantes.
  • •A Voepass afirma que a segurança operacional é um princípio fundamental e que colaborará com as autoridades.

A Justiça Federal aceitou a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) e tornou 12 integrantes da Voepass réus por envolvimento na queda de um avião da empresa em 9 de agosto de 2024, em Vinhedo (SP), que resultou na morte de 62 pessoas. Os réus responderão pelos crimes de atentado contra a segurança do transporte aéreo e sinistro em transporte aéreo.

Segundo o MPF, os crimes estão relacionados não apenas às causas diretas do acidente, mas também a uma cultura organizacional da empresa que priorizava a economia de recursos e o lucro em detrimento da manutenção adequada das aeronaves. Entre os denunciados estão diretores e membros da alta administração da Voepass, incluindo o presidente da empresa, José Luiz Felício Filho, que teriam sido responsáveis por decisões que criaram as condições para a queda. Dois funcionários sem cargos de comando também foram denunciados por contribuírem para o acidente.

Relatórios apontam falhas graves e cultura de risco

Um relatório da Polícia Federal, concluído em agosto, indiciou 16 pessoas. Deste total, 4 firmaram acordos de não persecução penal com o MPF e não foram denunciados. A PF apurou que a aeronave não possuía condições técnicas para o voo, especialmente sob formação de gelo severo e precipitações, com equipamentos cruciais como o sistema de degelo e o limpador do para-brisa inoperantes. Mesmo assim, a empresa autorizou a decolagem.

A procuradora da República Viviane de Oliveira Martinez, autora da denúncia, declarou que o desastre foi um "desfecho previsível de um processo continuado de omissões deliberadas na manutenção preventiva, de descumprimento de normas regulatórias e de degradação consciente do gerenciamento de segurança operacional". A denúncia também aponta que a Voepass sabia que o modelo ATR 72-500 não tinha certificação para operar em condições críticas de gelo, mas escalou a aeronave para uma rota com alertas de gelo severo.

Investigações indicam falhas no sistema e alertas ignorados

Em julho, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) concluiu suas investigações, apontando falhas no sistema, alertas ignorados, revisões mecânicas insuficientes e uma cultura organizacional que desencorajava o reporte de falhas em voos anteriores como causas do acidente. A combinação da incapacidade técnica do avião com os problemas no sistema de degelo teria provocado a perda de sustentação da aeronave.

Procurada, a Voepass informou que continuará colaborando com o Poder Judiciário e as autoridades, fornecendo os documentos e informações solicitadas. Em nota, a empresa declarou que, em mais de 3 décadas de atuação, a segurança operacional sempre foi um princípio fundamental, com procedimentos orientados pela regulamentação aeronáutica e diretrizes internas.

A defesa do presidente José Luiz Felício Filho afirmou que ele se manifestará nos autos e que, à época do acidente, integrava o Conselho da Voepass e estava afastado da gestão direta, tendo retomado a função executiva após o ocorrido. A defesa ressalta a colaboração de Felício com as autoridades desde o início das apurações e sua confiança no devido processo legal.

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