Argentina impulsiona exportações de óleos vegetais para a Índia

Destaques
- •Argentina se consolida como principal fornecedor de óleos de soja e girassol para a Índia, impulsionada pela crescente demanda indiana e menor oferta de concorrentes.
- •O setor de oleaginosas representa quase 90% das exportações argentinas para a Índia, gerando um superávit comercial significativo.
- •Negociações para um acordo de livre-comércio entre Mercosul e Índia podem reduzir tarifas e ampliar o acesso a mercados regionais.
A Argentina se destaca no mercado global de oleaginosas, com um crescimento expressivo na produção e industrialização de soja e girassol. O país transformou a exportação de grãos em produtos de maior valor agregado, como óleo e farelo, consolidando-se como um importante fornecedor para a União Europeia e, principalmente, para a Índia.
Entre janeiro e agosto, as exportações argentinas de óleos vegetais totalizaram 5,5 milhões de toneladas, sendo 4,1 milhões de toneladas de derivados de soja e 1,4 milhão de girassol. Desse montante, 62% tiveram como destino o mercado indiano, um recorde histórico para o período. O setor de oleaginosas é crucial para a economia argentina, representando quase 90% de todas as exportações para a Índia e gerando um superávit comercial estimado em US$ 4 bilhões.
O boom do óleo de soja e girassol
A industrialização local de soja e girassol tem sido um diferencial para a Argentina. Enquanto uma tonelada de soja em grão é vendida por cerca de US$ 400, o óleo de soja alcança de US$ 1.200 a US$ 1.300 por tonelada no mercado internacional. Esse processo levou a investimentos milionários em unidades de esmagamento no país.
Gustavo Idígoras, presidente da CIARA-CEC (Câmara da Indústria de Óleos Vegetais da República Argentina e Centro de Exportadores de Cereais), afirma que a Índia é o parceiro estratégico mais importante para a indústria de oleaginosas argentina. Nos últimos dois anos, o comércio entre os países cresceu mais de 110%, e a Argentina se tornou a principal fornecedora de óleos vegetais para o mercado indiano, com uma em cada três garrafas de óleo consumidas na Índia sendo de origem argentina.
Três motores para a demanda indiana
A forte demanda indiana por óleos vegetais é impulsionada por três fatores principais, segundo Idígoras:
- A consolidação da Índia como a quarta maior economia mundial, com uma classe média em expansão que aumenta o consumo de alimentos ricos em proteínas.
- A mudança no padrão de consumo indiano, que migra de oleaginosas de baixa qualidade, como o óleo de palma, para opções de qualidade intermediária, como os óleos de soja e girassol.
- A menor oferta de concorrentes da Argentina. A Rússia e a Ucrânia enfrentam problemas logísticos e de produção de óleo de girassol, enquanto Estados Unidos e Brasil destinam volumes crescentes de óleo de soja para a fabricação de biocombustíveis, reduzindo a oferta para exportação.
Acordo de livre-comércio em pauta
Um ponto crucial para o futuro do setor é a conclusão de um acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a Índia. Atualmente, as tarifas de importação indianas para óleos vegetais podem variar de 5% a 30%. O Acordo de Comércio Preferencial (ACP) entre Mercosul e Índia, embora limitado, está em processo de negociação para ser ampliado.
A Índia busca uma negociação rápida, de até 12 meses, focada na redução de tarifas para cerca de 200 a 300 produtos de cada lado. A concretização do acordo pode facilitar o acesso a outros mercados regionais, como Bangladesh e Paquistão.



