Eleições 2026: eleitores de Lula e Flávio Bolsonaro divergem sobre 'melhorar de vida'

Destaques
- •Pesquisas indicam que eleitores de Flávio Bolsonaro valorizam o empreendedorismo, enquanto apoiadores de Lula priorizam a carteira de trabalho e estabilidade.
- •Candidatos buscam o centro no segundo turno, com Lula dialogando com microempreendedores e Flávio ampliando discurso em políticas sociais.
- •Aumento de indecisos na reta final pode indicar cautela de eleitores com a mudança de governo, mas não garante migração de votos para nenhum dos candidatos.
A eleição presidencial de 2026, ainda em seu segundo turno, apresenta um cenário de aparente estabilidade nas intenções de voto, mas com movimentações internas relevantes entre os eleitores. Pesquisas como a Meio/Ideia e Quaest, analisadas por cientistas políticos como Fábio Vasconcellos e Murilo Medeiros, revelam uma divisão clara na percepção do que significa 'melhorar de vida', refletindo diretamente nas bases de apoio dos candidatos Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Enquanto eleitores com afinidade ao empreendedorismo tendem a preferir Flávio Bolsonaro, aqueles que valorizam a carteira de trabalho e a estabilidade do emprego se inclinam para Lula. Essa dicotomia se manifesta nas urnas, com Lula vencendo em bairros mais ricos e centrais de grandes capitais, e Flávio Bolsonaro obtendo maior força em periferias de classe C e em faixas de renda mais altas, com exceção da classe E, mais dependente de programas sociais.
Candidatos buscam o centro e o eleitorado indeciso
No segundo turno, ambos os candidatos adotaram estratégias para atrair o eleitorado adversário. Lula passou a dialogar com o segmento empreendedor, anunciando medidas para microempreendedores individuais (MEIs), enquanto Flávio Bolsonaro ampliou seu discurso em torno de políticas sociais. Essa movimentação em direção ao centro é vista como um fenômeno comum em segundos turnos eleitorais, onde as campanhas buscam pontos de convergência com as bases do oponente.
O aumento do número de eleitores indecisos na pesquisa Quaest, de 7% para 14% na modalidade espontânea, é visto como um sinal de alerta. Segundo o cientista político Murilo Medeiros, isso pode indicar um efeito da estratégia de Lula de questionar as propostas de Flávio Bolsonaro e associá-las a riscos para programas sociais. No entanto, a pesquisa também aponta que cerca de 90% dos entrevistados não pretendem mudar de voto, sugerindo que a disputa continua marcada por alta fidelidade das bases.
Percepção de bem-estar e dívidas moldam o voto
Apesar de um cenário econômico com inflação e desemprego baixos, a sensação de perda de bem-estar cresceu intensamente nos últimos anos, segundo o economista Sérgio Vale. O endividamento e os juros altos contribuem para essa percepção, mesmo com anúncios recentes de auxílio. Eleitores como Cleide Jane Correia do Nascimento relatam dificuldades em arcar com despesas básicas, como alimentação, e recorrem a crédito fácil, caindo em uma 'bola de neve'.
Por outro lado, eleitores como Daniela Costanzo, que valorizam a democracia e políticas públicas, temem ameaças à democracia com a volta da família Bolsonaro ao poder. Ela destaca a importância de pesquisas, concursos e políticas como a Farmácia Popular, que podem ser afetadas por cortes orçamentários. A preocupação com o funcionamento da democracia, contudo, é vista como intangível para eleitores das classes C e D, que priorizam questões tangíveis como o custo de vida e a segurança.
Empreendedorismo e o olhar da elite intelectual
A digitalização tem aberto novas oportunidades de empreendedorismo, permitindo que pessoas como Cleide e Daniela complementem sua renda ou sonhem com negócios próprios. No entanto, o sócio da Plano CDE, Maurício de Almeida Prado, aponta um ressentimento silencioso entre eleitores de Flávio Bolsonaro, que se sentem incomodados com o olhar superior da elite intelectual, que os considera manipuláveis. Esses eleitores sabem o que preferem e estão dispostos a apostar em uma mudança.
A eleição permanece aberta, com empate técnico entre os candidatos. O desafio de Lula é converter a desconfiança em apoio efetivo, enquanto Flávio Bolsonaro precisa impedir que a dúvida afaste eleitores inclinados à mudança. O comportamento do eleitor independente será decisivo nesta reta final.
Matérias originais
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- ‘Dívida com Deus e o mundo’ na periferia e ‘medo por democracia’ em bairro rico marcam País dividido · estadao.com.br
- Indecisos dobram na reta final e colocam Flávio em alerta, avalia cientista político · infomoney.com.br



