Vida & SaúdeRelevância BR: 5/10

Jardins e parques associados a menor risco de diabetes tipo 2, aponta estudo

07 de novembro de 2026
Jardins e parques associados a menor risco de diabetes tipo 2, aponta estudo

Destaques

  • •Estudo no Reino Unido sugere que viver perto de áreas verdes pode reduzir o risco de desenvolver diabetes tipo 2.
  • •Pessoas com jardins em casa tiveram risco 7% menor, e com 3 ou mais parques próximos, 5,7% menor.
  • •Especialistas alertam que a associação pode ser indireta, ligada a estilo de vida mais ativo e melhores condições socioeconômicas.

Viver em áreas com maior presença de jardins residenciais ou ter múltiplos parques próximos à residência pode estar associado a um menor risco de desenvolver diabetes tipo 2. Um estudo publicado na revista BMC Public Health, que acompanhou mais de 400 mil pessoas no Reino Unido por aproximadamente 15 anos, observou que indivíduos em locais com mais áreas verdes apresentaram um risco cerca de 7% menor da doença. Aqueles com três ou mais parques em um raio de 800 metros de suas casas tiveram um risco 5,7% menor.

A geriatra Erika Satomi, do Einstein Hospital Israelita, explica que o diabetes tipo 2 está ligado a fatores como menor prática de atividade física, obesidade e estilo de vida com alimentação inadequada. Pessoas que frequentam espaços verdes tendem a ser mais ativas fisicamente e socialmente, além de terem menor exposição a poluentes e serem menos sedentárias.

Associação indireta com estilo de vida

A especialista ressalta que a presença de áreas verdes não previne o diabetes por si só, mas a associação identificada no estudo provavelmente ocorre de maneira indireta. Uma rotina ativa, facilitada pelo acesso a espaços verdes, está ligada a um menor risco de desenvolver a doença, principalmente pela redução da gordura corporal e da resistência à insulina, ambos fatores cruciais para o desenvolvimento do diabetes tipo 2.

Evidências anteriores já indicam que o contato com áreas verdes pode levar à redução dos níveis de cortisol e pressão arterial, além de alterações em marcadores cardiovasculares e aumento da adiponectina, uma substância protetora do metabolismo. No entanto, os mecanismos exatos e o tipo de exposição que geram esse impacto ainda não estão totalmente claros.

Parques e fatores socioeconômicos

O estudo também analisou a quantidade de parques disponíveis. Os pesquisadores não encontraram relação entre a distância até o parque mais próximo e o risco de diabetes, mas observaram um risco menor entre aqueles com três ou mais parques em um raio de 800 metros. Contudo, Erika Satomi pondera que essa condição pode também indicar regiões com melhores condições socioeconômicas.

Essas regiões geralmente oferecem maior acesso a serviços de saúde, alimentação de melhor qualidade e mais oportunidades para a prática de atividade física. A médica sugere que a condição socioeconômica pode ter tido uma interferência maior do que a simples quantidade de parques.

Prevenção e complementação

Cuidar de um jardim pode ser uma forma de combater o sedentarismo, mas não deve substituir a atividade física regular. O estudo não avaliou se os participantes efetivamente cuidavam de seus jardins. Satomi enfatiza que qualquer atividade física que afaste do sedentarismo e do estresse tem potencial de prevenção do diabetes e pode complementar a melhora da qualidade de vida.

Para quem vive em apartamentos ou áreas sem parques próximos, cultivar plantas em vasos pode ser uma alternativa para aumentar o contato com o verde e promover momentos de relaxamento. No entanto, a médica reforça a importância de focar nos fatores de prevenção já conhecidos, como estimular a atividade física, a interação social e a melhoria da qualidade da alimentação da população.

Receba as Melhores Notícias

Assine nossa newsletter e receba diariamente as notícias mais relevantes, sem viés político.

Edição matinal diária às 07:00 • 7 minutos de leitura • Gratuita.

Notícias Relacionadas