Estudo aponta necessidade de planos de emergência mais claros em escolas

Destaques
- •Pesquisa de 2025 analisou a Dana de Valência de 2024 e destacou a importância de conectar conhecimento científico com ações práticas.
- •O estudo sugere que a comunicação em emergências deve ser adaptada à idade e às necessidades individuais, com instruções claras e objetivas.
- •Próximos passos incluem aprimorar a capacitação de professores e funcionários, além de desenvolver mensagens coordenadas entre órgãos públicos.
Um estudo realizado em 2025, focado na Dana (Depressão Isolada em Níveis Altos) que atingiu Valência em 2024, um fenômeno meteorológico extremo com chuvas intensas e quedas bruscas de temperatura, evidenciou a necessidade de aprimorar os planos de emergência em centros educacionais. A pesquisa, publicada originalmente pelo The Conversation em 27 de outubro de 2026, ressalta a importância de conectar o conhecimento científico com alertas e a capacitação do público, transformando informações sobre perigos em decisões compreensíveis.
O quadro internacional de segurança escolar GADRRRES (2022) preconiza instalações seguras, gestão de emergências e educação preventiva. Para isso, é fundamental o treinamento contínuo do corpo docente, direção e demais funcionários em interpretação de alertas, evacuação, confinamento, primeiros socorros, apoio emocional e comunicação acessível. O conhecimento da área local e a percepção espacial também são cruciais para associar riscos a locais familiares.
Ações em diferentes cenários de emergência
As ações em situações de risco devem estar alinhadas com o plano central de emergências e as instruções dos serviços competentes. Em caso de terremoto, a proteção deve ser buscada debaixo de uma mesa resistente, com a cabeça coberta e longe de vidros, sem correr para fora durante o tremor. Após o abalo, a evacuação segue o plano e as orientações recebidas.
Em situações de enchente, a evacuação preventiva só é indicada se as condições climáticas e rotas forem seguras. Se a área externa já estiver alagada, deve-se buscar abrigo em áreas elevadas designadas, desde que o prédio seja seguro, e evitar atravessar a água. Para pandemias, as medidas dependem do tipo de infecção e da avaliação de saúde, como ventilação em casos de transmissão respiratória.
Em um possível surto de intoxicação alimentar em massa, as ações incluem prestar atendimento aos afetados, contatar serviços de saúde, registrar sintomas e horários, e informar as famílias sem atribuir causas não confirmadas. Ocorrências graves exigem o acionamento dos números de emergência.
Comunicação adaptada e gestão de crises
O CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos) aponta que o estresse afeta concentração e memória. Durante emergências, instruções breves, específicas e ordenadas são mais eficazes, com explicações longas reservadas para preparação ou pós-emergência. O Unicef recomenda informações verdadeiras e adequadas à idade, além de ouvir as preocupações dos alunos.
Para a 1ª infância, um sinal por vez com gestos é suficiente. No ensino fundamental, pode-se adicionar uma razão simples. Nos ensinos médio e superior, a explicação das decisões e a verificação de avisos são importantes. A comunicação deve considerar necessidades individuais, usando pictogramas, mensagens escritas e faladas, traduções e apoio pessoal. Perguntar "mostre-me o que você faria" é mais eficaz para verificar a compreensão do que "você entendeu".
Durante a pandemia de covid-19, autores observaram perdas de aprendizagem durante o fechamento de escolas na Holanda, maiores em famílias com menor nível educacional. Isso indica que planos de emergência devem prever contato com famílias, alternativas presenciais e apoio, mesmo quando a frequência à escola é impossibilitada. A comunicação deve gerenciar mudanças, sinalizando o que se sabe, o que é incerto e por que medidas são alteradas.
Mensagens coordenadas e canais múltiplos
Áreas como Educação, Saúde Pública, Defesa Civil e prefeituras necessitam de mensagens coordenadas e não contraditórias. Cada alerta deve conter remetente, data, hora, centros afetados, ação necessária, contato para incidentes e próxima atualização, diferenciando instruções para diretores e famílias. Alertas devem abranger áreas afetadas, independentemente de limites municipais.
Um exemplo de alerta para uma escola com abrigo interno seguro seria: "Organização, data, 11h, nome da escola: as vias de acesso estão alagadas. Mantenham os alunos nas áreas seguras previstas no plano. Não autorize saídas pelos pontos de acesso alagados. Informe às famílias para que não se desloquem até a escola. Atualizaremos as instruções ao meio-dia pelo canal (nome do canal). Incidentes: (telefone)".
A mesma versão do alerta deve ser enviada por múltiplos canais, com alternativas para falhas de conexão. A direção deve confirmar o recebimento e relatar impedimentos. É essencial explicar como será o reencontro seguro com as famílias e analisar incidentes e necessidades emocionais posteriormente.
Matérias originais
- Como prevenir e comunicar emergências em ambientes escolares · poder360.com.br



