James Webb identifica galáxia em anel mais distante já observada

Destaques
- •O telescópio James Webb detectou a galáxia em forma de anel mais distante já vista, a GS18660, que existia 2,1 bilhões de anos após o Big Bang.
- •A estrutura, com um anel de estrelas recém-nascidas, pode ter se formado pela colisão de duas galáxias, um evento que pode ter sido mais comum no Universo primordial do que se pensava.
- •A confirmação da hipótese de colisão e a análise detalhada da GS18660 podem redefinir o entendimento sobre a formação de galáxias nas fases iniciais do cosmos.
O telescópio espacial James Webb identificou a galáxia em forma de anel mais distante já observada, batizada de GS18660. A estrutura cósmica apareceu como era há cerca de 2,1 bilhões de anos após o Big Bang, um período crucial na formação do Universo.
A galáxia chama a atenção por apresentar um anel proeminente de estrelas recém-nascidas. A principal hipótese, detalhada em estudo publicado na revista Astronomy & Astrophysics, sugere que a GS18660 pode ter se formado a partir da colisão entre duas galáxias no Universo primordial. Uma galáxia menor teria atravessado o centro da GS18660, desencadeando uma onda de gás denso que, ao se acumular, favoreceu o nascimento de novas estrelas e a formação da estrutura circular.
Como uma colisão cria galáxias em anel?
O processo é comparado às ondulações na água quando uma pedra é lançada. O impacto de uma galáxia menor no centro de uma maior pode gerar uma onda de gás denso que se propaga para fora. Esse gás se acumula, impulsionando a formação estelar e moldando a galáxia em uma estrutura circular brilhante.
Embora interações entre galáxias fossem comuns no Universo primordial, a formação de anéis por colisão é considerada incomum. No caso da GS18660, astrônomos observaram uma galáxia companheira menor se afastando a cerca de 425 quilômetros por segundo e uma ponte de gás conectando os dois objetos, com variações de velocidade. Esses sinais indicam uma interação, com a posição da companheira compatível com a hipótese de atravessar o disco principal.
O que o James Webb revelou?
A GS18660 foi selecionada após imagens do telescópio Hubble mostrarem uma estrutura alongada, sem que os pesquisadores buscassem especificamente uma galáxia anelar. Foi com as observações detalhadas do James Webb, utilizando o instrumento NIRSpec, que a forma circular se tornou evidente.
Os cientistas puderam investigar a galáxia em três dimensões, analisar movimentos de gás, composição química e história de formação estelar. Estimativas indicam que a possível colisão ocorreu entre 17 milhões e 42 milhões de anos antes do período observado, e que entre 10% e 20% da massa estelar do anel se formou nas últimas dezenas de milhões de anos, reforçando a ideia de um episódio intenso de formação estelar.
Outras explicações e o impacto no conhecimento
Apesar das evidências, os cientistas ressaltam que nenhum sinal isolado comprova a colisão. Outra explicação possível é uma estrutura interna semelhante a uma barra estelar, que poderia direcionar gás e estrelas para formar um anel sem a necessidade de uma intrusa. A GS18660 apresenta uma barra estelar, mas ainda não está claro se ela é real ou resultado de interação.
Se a origem por colisão da GS18660 for confirmada, a estimativa de que galáxias anelares por colisão eram raras no Universo primordial (cerca de uma em dez mil) poderá precisar de revisão. Isso indicaria que tais eventos eram mais frequentes nas primeiras fases da história cósmica. Independentemente da explicação, a galáxia oferece uma oportunidade única para investigar como estruturas complexas se desenvolviam quando o Universo tinha apenas alguns bilhões de anos.
Matérias originais
- James Webb encontra galáxia em forma de anel que pode ter nascido de colisão rara · olhardigital.com.br
