Itaú BBA rebaixa Bradesco (BBDC4) para neutra e reduz preço-alvo

Destaques
- •Itaú BBA troca recomendação de compra para neutra para ações preferenciais do Bradesco (BBDC4).
- •Projeções de lucro para 2027 foram reduzidas em 12%, com estimativa de crescimento de apenas 1%.
- •Cenário macroeconômico desafiador, com juros altos e aumento de provisões, limita perspectivas de rentabilidade.
O Itaú BBA rebaixou a recomendação das ações preferenciais do Bradesco (BBDC4) de compra para neutra, com o código de mercado market perform. A instituição também reduziu o preço-alvo para o fim de 2027, de R$ 22 para R$ 20. A mudança de postura reflete uma visão mais cautelosa sobre os resultados do banco em decorrência de um cenário macroeconômico considerado mais desafiador para o próximo ano.
Os analistas do Itaú BBA revisaram para baixo suas projeções de lucro para o Bradesco. A nova estimativa para o resultado líquido em 2027 é de R$ 28,5 bilhões, o que representa uma queda de cerca de 12% em relação à previsão anterior. Esse montante significaria um crescimento de apenas 1% em relação a 2026, com um retorno sobre patrimônio (ROE) projetado de 14,4%.
Cenário macroeconômico desafiador limita rentabilidade
Segundo o relatório, a combinação de uma atividade econômica mais fraca, juros mais elevados e um aumento nas provisões para perdas com crédito deve limitar os avanços de rentabilidade que o banco observou nos últimos trimestres. Embora as receitas com seguros, tesouraria e ganhos de eficiência operacional continuem a oferecer suporte, o Itaú BBA entende que esses fatores podem não ser suficientes para compensar o enfraquecimento das receitas ligadas ao crédito.
O ambiente econômico esperado para 2027 tende a restringir tanto a demanda por crédito quanto a capacidade de pagamento de famílias e empresas. As expectativas mais altas para os juros podem continuar pressionando clientes corporativos e retardar a recuperação das operações de atacado. Além disso, o elevado comprometimento de renda das famílias e os riscos de crédito em pequenas e médias empresas limitam o potencial de expansão da carteira de crédito.
Provisões para perdas com crédito são principal preocupação
Diante desse cenário, o Itaú BBA reduziu suas estimativas para o crescimento da carteira de crédito e da margem financeira com clientes (NII). A projeção é de um crescimento de apenas 6% nessa linha em 2027, em comparação com uma expansão estimada de 12% em 2026. O principal ponto de atenção para os analistas continua sendo a qualidade dos ativos do banco.
A taxa de inadimplência acima de 90 dias encerrou o terceiro trimestre em 4,6%, um avanço de 0,3 ponto percentual na comparação trimestral. O Itaú BBA acredita que os custos de crédito podem permanecer pressionados por mais tempo e revisou suas projeções para 2027. Agora, o banco estima inadimplência de 4,9% e custo de risco de 3,87%, acima das previsões anteriores de 4,2% e 3,33%, respectivamente. Com isso, a projeção para despesas com provisões foi elevada em 16%, para R$ 47,1 bilhões.
Valuation atrativo, mas sem gatilhos de curto prazo
Apesar da piora das perspectivas, o Itaú BBA reconhece que as ações do Bradesco negociam a múltiplos considerados atrativos. O papel é negociado a cerca de 0,9 vez o valor patrimonial e 6,2 vezes o lucro estimado para 2027. Na visão dos analistas, entretanto, o desconto já não é suficiente para sustentar uma recomendação mais positiva diante da ausência de catalisadores de curto prazo.
“O valuation é pouco exigente, mas a falta de gatilhos para uma melhora mais acelerada dos resultados nos leva a ficar de fora por ora”, afirmam os estrategistas. O banco mantém uma visão construtiva para a história de longo prazo do Bradesco, destacando os avanços no processo de transformação, os ganhos de eficiência e a contribuição da operação de seguros. Contudo, o ambiente macroeconômico previsto para 2027 torna mais difícil a continuidade da recuperação dos lucros no ritmo esperado anteriormente.



