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Itaú BBA eleva recomendação da Gerdau para 'outperform' e vê alta de 29%

29 de outubro de 2026
Itaú BBA eleva recomendação da Gerdau para 'outperform' e vê alta de 29%

Destaques

  • •Itaú BBA elevou a recomendação das ações da Gerdau (GGBR4) de 'marketperform' para 'outperform', com preço-alvo de R$ 31 para o fim de 2027, sugerindo potencial de valorização de 29%.
  • •A operação nos Estados Unidos, responsável por cerca de três quartos do EBITDA da Gerdau, apresentou margens recordes impulsionadas por aumentos de preços e forte demanda, especialmente em data centers.
  • •Apesar do otimismo com os EUA, a operação brasileira é vista como ponto de atenção devido à recuperação lenta da demanda e pressão sobre preços, mas a desvalorização do real e a política de dividendos da empresa favorecem investidores.

O banco Itaú BBA elevou a recomendação para as ações da Gerdau (GGBR4) de 'marketperform' (desempenho em linha com o mercado) para 'outperform' (desempenho acima da média). A instituição financeira também aumentou o preço-alvo para o fim de 2027 de R$ 29 para R$ 31, o que sugere um potencial de valorização de cerca de 29% em relação aos preços atuais. Na quinta-feira (29), os papéis da siderúrgica subiam 4,23%, a R$ 25,11.

Segundo o banco, a combinação de fundamentos mais fortes e uma queda recente nas ações tornou a relação risco-retorno mais atrativa. O ambiente operacional da empresa evoluiu favoravelmente, especialmente nos Estados Unidos, contrastando com o desempenho inferior ao Ibovespa das ações da Gerdau desde agosto. A desvalorização do real para cerca de R$ 5,40 e os aumentos de preços implementados pela companhia no mercado norte-americano ao longo do terceiro e quarto trimestres foram fatores destacados pelos analistas.

Operação nos EUA impulsiona resultados

A principal mudança na análise do Itaú BBA está ligada à divisão norte-americana, responsável por aproximadamente três quartos do EBITDA consolidado da Gerdau. A margem EBITDA dessa operação atingiu 27,7% no terceiro trimestre, o maior nível desde 2022. Isso foi impulsionado por reajustes de preços em produtos longos, vigas e vergalhões, além de uma carteira de pedidos superior a 100 dias.

Diante desse cenário, o Itaú BBA elevou sua projeção para a margem EBITDA da operação norte-americana em 2027 para 24,6%, ante 21,3% anteriormente. A estimativa de EBITDA para a região foi revisada para R$ 10,3 bilhões. O banco também ressalta que a Gerdau é uma das empresas mais dolarizadas em sua cobertura, com cerca de 73% do EBITDA vindo da América do Norte, o que a beneficia com um real mais fraco e a protege contra volatilidade doméstica. O UBS BB também elevou o preço-alvo da Gerdau para R$ 35, reiterando a compra, e vê potencial acima do consenso de mercado, com margens EBITDA na América do Norte próximas de 30% em 2027, impulsionadas pela demanda em data centers.

Brasil segue como ponto de atenção

Apesar do otimismo com os negócios internacionais, a operação brasileira continua sendo o elo mais fraco. Os analistas do Itaú BBA reduziram suas estimativas para a margem EBITDA no Brasil em 2027 para 11,7%, ante 14,4% anteriores. Essa revisão reflete uma recuperação mais lenta da demanda doméstica, pressionada por juros elevados e inflação, além de expectativas mais conservadoras para os benefícios do projeto Miguel Burnier.

A avaliação é que o consumo aparente de aço permanece enfraquecido, e a empresa deve enfrentar pressão adicional de preços e maior participação das exportações no mix de vendas. O banco estima que o consumo de aço no Brasil deve ter uma queda de 3% em 2023. O UBS BB considera que o Brasil responde por apenas 15% a 20% do EBITDA consolidado, reduzindo sua relevância para a tese de investimento.

Estimativas financeiras e dividendos atraem investidores

Com a melhora das perspectivas para a América do Norte, o Itaú BBA elevou suas projeções financeiras para a Gerdau. O banco estima EBITDA de R$ 13,7 bilhões em 2026 e R$ 14,2 bilhões em 2027, revisões para cima de 4,7% e 2,4%, respectivamente. As projeções indicam geração robusta de caixa, com um rendimento de fluxo de caixa livre (FCF yield) de cerca de 12% em 2027 e dividend yield próximo de 9%.

A alavancagem da companhia está bastante baixa, com dívida líquida equivalente a apenas 0,3 vez o EBITDA. A Gerdau tem mantido uma política favorável aos acionistas, com dividendos e recompras de ações superando R$ 1,8 bilhão em 2026. O Itaú BBA considera que o atual valuation da Gerdau, negociando a cerca de 3,6 vezes EV/EBITDA projetado para 2027, não reflete adequadamente a melhora operacional, especialmente nos Estados Unidos, justificando o retorno da recomendação de compra. A desvalorização do real também é vista como proteção (hedge) para carteiras de investidores brasileiros.

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