Itaú BBA eleva recomendação da Gerdau para compra e aumenta preço-alvo

Destaques
- •Itaú BBA mudou a recomendação das ações da Gerdau de 'marketperform' para 'outperform', com preço-alvo elevado para R$ 31.
- •A melhora na tese se deve à forte performance da divisão norte-americana, que responde por 73% do EBITDA, e à desvalorização do real.
- •A operação brasileira segue como ponto de atenção, com estimativas de margem EBITDA reduzidas devido à demanda mais lenta e juros elevados.
O banco Itaú BBA elevou a recomendação para as ações da Gerdau (GGBR4) de 'marketperform' (desempenho em linha com o mercado) para 'outperform' (desempenho acima da média), além de aumentar o preço-alvo para o fim de 2027 de R$ 29 para R$ 31. O novo valor sugere um potencial de valorização de cerca de 29% em relação aos preços atuais. Os papéis da siderúrgica subiam 4,23%, a R$ 25,11, na quinta-feira (29).
Segundo o banco, a combinação de fundamentos mais fortes e uma queda recente nas ações tornou a relação risco-retorno mais atrativa. O ambiente operacional da empresa evoluiu favoravelmente, especialmente nos Estados Unidos, contrastando com o desempenho inferior ao Ibovespa das ações da Gerdau desde agosto. A desvalorização do real para cerca de R$ 5,40 e os aumentos de preços implementados pela companhia no mercado norte-americano ao longo do terceiro e quarto trimestres foram fatores destacados pelos analistas.
Operação nos EUA impulsiona resultados
A principal mudança na análise do Itaú BBA está ligada à divisão norte-americana, responsável por aproximadamente três quartos do EBITDA consolidado da Gerdau. A margem EBITDA dessa operação atingiu 27,7% no terceiro trimestre, o maior nível desde 2022. Isso foi impulsionado por reajustes de preços em produtos longos, vigas e vergalhões, além de uma carteira de pedidos superior a 100 dias.
Diante desse cenário, o Itaú BBA elevou sua projeção para a margem EBITDA da operação norte-americana em 2027 para 24,6%, ante 21,3% anteriormente. A estimativa de EBITDA para a região foi revisada para R$ 10,3 bilhões. O banco também ressalta que a Gerdau é uma das empresas mais dolarizadas em sua cobertura, com cerca de 73% do EBITDA vindo da América do Norte, o que a beneficia com um real mais fraco e a protege contra volatilidade doméstica.
Brasil segue como ponto de atenção
Apesar do otimismo com os negócios internacionais, a operação brasileira continua sendo o elo mais fraco. Os analistas do Itaú BBA reduziram suas estimativas para a margem EBITDA no Brasil em 2027 para 11,7%, ante 14,4% anteriores. Essa revisão reflete uma recuperação mais lenta da demanda doméstica, pressionada por juros elevados e inflação, além de expectativas mais conservadoras para os benefícios do projeto Miguel Burnier.
A avaliação é que o consumo aparente de aço permanece enfraquecido, e a empresa deve enfrentar pressão adicional de preços e maior participação das exportações no mix de vendas. O banco estima que o consumo de aço no Brasil deve ter uma queda de 3% em 2023.
Estimativas financeiras e dividendos atraem investidores
Com a melhora das perspectivas para a América do Norte, o Itaú BBA elevou suas projeções financeiras para a Gerdau. O banco estima EBITDA de R$ 13,7 bilhões em 2026 e R$ 14,2 bilhões em 2027, revisões para cima de 4,7% e 2,4%, respectivamente. As projeções indicam geração robusta de caixa, com um rendimento de fluxo de caixa livre (FCF yield) de cerca de 12% em 2027 e dividend yield próximo de 9%.
A alavancagem da companhia está bastante baixa, com dívida líquida equivalente a apenas 0,3 vez o EBITDA. A Gerdau tem mantido uma política favorável aos acionistas, com dividendos e recompras de ações superando R$ 1,8 bilhão em 2026. O Itaú BBA considera que o atual valuation da Gerdau, negociando a cerca de 3,6 vezes EV/EBITDA projetado para 2027, não reflete adequadamente a melhora operacional, especialmente nos Estados Unidos, justificando o retorno da recomendação de compra.



