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Crédito no Brasil: Juros altos encarecem empréstimos e pressionam famílias

29 de outubro de 2026
Crédito no Brasil: Juros altos encarecem empréstimos e pressionam famílias

Destaques

  • •O estoque de crédito no Brasil atingiu R$ 7,4 trilhões em setembro, com crescimento desacelerado e juros médios elevados.
  • •Famílias destinam quase um terço da renda ao pagamento de dívidas, enquanto a inadimplência em linhas de crédito livre permanece alta.
  • •A Creditas aposta em empréstimos com garantia para expandir participação em mercado desafiador, prevendo crescimento de 25% em 2027.

O crédito no Brasil continua a crescer, mas o acesso ao dinheiro emprestado tornou-se mais caro e o pagamento das dívidas pesa cada vez mais no orçamento das famílias. Em setembro, o estoque de empréstimos e financiamentos do sistema financeiro alcançou R$ 7,4 trilhões, um aumento de 0,4% em relação a agosto. No entanto, o avanço perdeu força, registrando uma alta de 8,6% em 12 meses, inferior aos 9,4% de agosto, segundo dados do Banco Central. Essa desaceleração ocorre em um cenário de juros elevados que encarecem novos empréstimos e dificultam a reorganização financeira de quem já está endividado.

Juros elevados e pressão sobre as famílias

Em agosto, quase 30% da renda das famílias eram destinados ao pagamento de dívidas e juros. Simultaneamente, a inadimplência permaneceu elevada. Os juros médios das novas operações de crédito chegaram a 32,4% ao ano em setembro. Nas linhas de crédito livre, como o pessoal e o cartão, a média foi ainda maior, atingindo 49% ao ano, e para pessoas físicas, 62,4% ao ano. O cartão de crédito rotativo, modalidade que financia o saldo restante da fatura, teve sua taxa média elevada em 6,8 pontos percentuais em agosto, tornando o custo de deixar parte da fatura para depois ainda mais alto.

Para as empresas, os juros médios do crédito livre chegaram a 24,4% ao ano em setembro. O encarecimento dos empréstimos pode aumentar o custo de financiar estoques, pagar fornecedores e manter operações, especialmente para negócios que dependem de capital de giro.

Crescimento do crédito e desafios na inadimplência

Apesar das condições desfavoráveis, o volume de empréstimos segue aumentando. O crédito destinado às famílias somou R$ 4,7 trilhões em setembro, enquanto o das empresas atingiu R$ 2,8 trilhões. No acumulado de 12 meses, o financiamento às famílias cresceu 9,9%, superando o avanço de 6,5% entre as empresas. Parte dessa expansão para pessoas físicas veio dos empréstimos consignados e financiamentos de veículos. Entre as empresas, o crescimento mensal do crédito livre foi impulsionado pela antecipação de recebíveis.

O sinal de maior preocupação está na dificuldade de pagamento das dívidas. Em setembro, a inadimplência ficou em 5% do total de empréstimos, estável em relação a agosto, mas 0,9 ponto percentual acima do nível de um ano antes. Entre as famílias, o indicador chegou a 6%. Nas linhas de crédito livre, como crédito pessoal e cartão, a inadimplência das famílias atingiu 8,1% do saldo devedor em setembro, ante 6,9% um ano antes.

Oportunidades em cenário desafiador

A Creditas, fintech focada em empréstimos com garantia, vê um cenário desafiador para 2027, com juros elevados e famílias pressionadas pelo endividamento. No entanto, a empresa enxerga uma oportunidade de ampliar sua participação no mercado, especialmente em empréstimos com garantia de imóveis e veículos. O CEO Sergio Furio projeta um crescimento de cerca de 25% na carteira e na receita em 2027, buscando ganhar market share de forma sustentável.

A empresa registrou no terceiro trimestre de 2026 uma carteira de crédito de R$ 8,5 bilhões (alta de 26,8% em 12 meses) e receita de R$ 728,3 milhões (alta de 34,9% no ano). Apesar de um prejuízo operacional de R$ 53 milhões no trimestre, a Creditas aposta em eficiência e uso de inteligência artificial para controlar custos e melhorar a receita por colaborador. A expectativa é que a inadimplência não se traduza automaticamente em perdas financeiras devido às garantias reais em suas operações.

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