Dólar sobe e Ibovespa cai com incertezas fiscais e dados dos EUA

Destaques
- •Dólar futuro avança 0,63% e Ibovespa recua 0,25% em meio a receios fiscais e dados econômicos americanos.
- •Famílias brasileiras atingem recorde de endividamento, com 50,1% da renda comprometida.
- •Investidores aguardam novas sinalizações sobre política econômica e fiscal do governo Lula.
O mercado brasileiro opera com cautela nesta quinta-feira (29), com o dólar futuro em alta e o Ibovespa em queda, refletindo incertezas fiscais domésticas e a divulgação de dados econômicos nos Estados Unidos. O dólar futuro avançava 0,63%, negociado a 5.382,5 pontos, enquanto o Ibovespa recuava 0,25%, aos 170,6 mil pontos, ampliando a perda semanal para cerca de 16,8%. A reprecificação dos ativos brasileiros após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva continua a pressionar a bolsa e o câmbio.
Cenário Externo e Dados dos EUA
Investidores acompanham a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos, que cresceu 3,4% no terceiro trimestre, acima do esperado. No entanto, a inflação medida pelo Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) acelerou 0,5% em setembro, acumulando alta de 3,6% no ano, o que pode gerar cautela no Banco Central americano. O Federal Reserve (Fed) manteve os juros inalterados entre 3,75% e 4,00% ao ano, mas sinalizou que a economia forte pode manter a inflação elevada, gerando incerteza sobre futuros aumentos.
As ações da Alphabet, controladora do Google, caíram quase 10% no pré-mercado após a empresa reportar um fluxo de caixa livre negativo de US$ 9,07 bilhões no terceiro trimestre, muito acima do esperado. Os resultados reacenderam preocupações com os altos custos da inteligência artificial.
Endividamento e Reforma Tributária no Brasil
No cenário doméstico, o endividamento das famílias brasileiras atingiu um recorde de 50,1% da renda acumulada em 12 meses em agosto, com o comprometimento da renda com o serviço da dívida também em máxima histórica de 29,0%. Isso ocorre apesar de programas de renegociação de dívidas lançados pelo governo.
A reforma tributária avança com a aprovação pelo Tribunal de Contas da União (TCU) de uma alíquota de referência de 11,3% para a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) em 2027, que agora será encaminhada ao Congresso. Além disso, o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) aprovou o aumento das alíquotas de ICMS sobre combustíveis a partir de 2027.
Perspectivas para o Mercado
Economistas avaliam que o real mais fraco pode aumentar a pressão inflacionária, levando o Banco Central a ser mais cauteloso nos cortes da Selic. Bancos globais reduziram a exposição ao Brasil diante das incertezas fiscais. O Ibovespa, em região de sobrevenda, testa suportes importantes, enquanto o dólar futuro segue esticado. A definição de novos ministros e a condução da política econômica e fiscal pelo governo Lula são pontos cruciais a serem observados.
Matérias originais
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