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Israel: Netanyahu lidera, mas sem maioria; novas eleições são prováveis

29 de outubro de 2026
Israel: Netanyahu lidera, mas sem maioria; novas eleições são prováveis

Destaques

  • •Eleições em Israel resultam em impasse político, com blocos de Netanyahu e Eisenkot sem maioria parlamentar.
  • •A alta participação de eleitores árabes foi crucial para impedir a maioria de Netanyahu, mas a oposição também não alcançou os 61 assentos necessários.
  • •Novas eleições são o cenário mais provável, com Netanyahu permanecendo como primeiro-ministro interino.

As eleições legislativas em Israel, realizadas na terça-feira (27/10), resultaram em um impasse político, com nenhum dos principais blocos alcançando a maioria necessária para formar governo. Com mais de 85% dos votos apurados, nem a coligação do atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, nem o bloco de seu principal adversário, Gadi Eisenkot, conseguiram os 61 assentos no Parlamento (Knesset) para garantir uma maioria. O cenário mais provável, segundo as análises, é a realização de novas eleições, o que já ocorreu cinco vezes entre 2019 e 2022.

Impasse e a busca por maioria

O bloco de Netanyahu, composto por partidos de direita, extrema-direita e ultraortodoxos, conquistou cerca de 53 cadeiras, enquanto o bloco de oposição liderado por Gadi Eisenkot obteve aproximadamente 48 assentos. A participação sem precedentes dos eleitores árabes, que representam cerca de um quinto da população israelense, foi um fator decisivo. Esses eleitores, frequentemente se descrevendo como "cidadãos palestinos de Israel", foram motivados a votar para derrubar a coalizão de direita mais à direita da história do país. Partidos árabes, como a Lista Árabe Unida e a Lista Conjunta, projetam conquistar um número recorde de 19 cadeiras, o que coloca essas legendas no centro das negociações para a formação do próximo governo.

No entanto, a maioria dos partidos judeus, incluindo os do bloco de Eisenkot, rejeita a possibilidade de formar governo com legendas árabes, o que dificulta a formação de uma coalizão de oposição. Por outro lado, Netanyahu, que pediu um "governo de direita forte", também enfrenta desafios para manter sua aliança com partidos ultraortodoxos, pois alguns de seus potenciais aliados de direita, como Naftali Bennett e Avigdor Lieberman, fizeram campanha explicitamente para destituí-lo e defendem a extensão do serviço militar obrigatório aos ultraortodoxos.

Acusações de fraude e investigação

Diante do resultado que impediu sua maioria, o partido Likud de Benjamin Netanyahu acusou legendas que representam os cidadãos palestinos de Israel de terem fraudado a votação, alegando recebimento de recursos estrangeiros do Catar e da Turquia. O partido chegou a afirmar que as eleições haviam sido "roubadas" pelas legendas árabes, embora não tenha apresentado provas públicas que sustentem a acusação. O Comitê Central de Eleições de Israel, por meio do juiz da Suprema Corte Noam Sohlberg, determinou que o serviço de inteligência interna Shin Bet investigasse as suspeitas de financiamento estrangeiro e compra de votos.

A oposição, por sua vez, denunciou a tentativa de Netanyahu de deslegitimar o resultado eleitoral. Gadi Eisenkot advertiu que as investigações não podem ser usadas como instrumento político para adiar a posse dos parlamentares eleitos, enquanto Yair Golan, presidente do partido Democratas, acusou Netanyahu de tentar minar os resultados por meio de uma "campanha repugnante de deslegitimação" contra a vontade do público, especialmente o árabe.

Consequências e próximos passos

Com a ausência de uma maioria clara, Benjamin Netanyahu permanecerá como primeiro-ministro interino durante quaisquer negociações de coalizão e, potencialmente, até uma nova eleição. Um governo interino, embora enfrente algumas restrições, mantém poderes significativos, inclusive sobre a guerra com o Irã. A perspectiva de um governo interino sem maioria parlamentar já impactou os mercados israelenses, com o shekel se desvalorizando e os principais índices da bolsa de Tel Aviv caindo mais de 3%.

Especialistas, como Danny Zahreddine, professor de Relações Internacionais da PUC Minas, avaliam que uma nova eleição seria prejudicial à oposição, podendo levar a uma queda no número de votos e à continuidade de Netanyahu no poder. Ele sugere que a oposição precisa ter coragem de aceitar o apoio do bloco árabe para formar um governo e evitar novas eleições, cujo resultado poderia ser ainda pior para eles. A eleição ocorreu em um contexto de tensões regionais, com Netanyahu mencionando a possibilidade de uma nova ação militar conjunta contra o Irã ao lado dos Estados Unidos, e em meio a um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional contra ele por acusações de crimes de guerra.

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