Irmãos Muffato elevam participação no Assaí para 15,02%

Destaques
- •Grupo de investidores liderado pelos irmãos Ederson e Everton Muffato agora detém 15,02% do Assaí, superando a gestora Orbis.
- •A movimentação ocorre após aval do Cade, que considerou a presença simultânea das redes em 66 mercados, mas não identificou risco concorrencial relevante.
- •Investidores declararam não ter intenção de alterar controle acionário ou estrutura administrativa, mas a ampliação pode abrir espaço para indicação no conselho do Assaí.
Os irmãos Ederson e Everton Muffato, proprietários das redes Super Muffato e Max Atacadista, aumentaram sua participação acionária no Assaí para 15,02%. Essa fatia considera ações ordinárias e derivativos, colocando o grupo de investidores à frente da gestora sul-africana Orbis, que anteriormente detinha 11,56% das ações ordinárias. A informação foi divulgada pela própria Sendas Distribuidora, operadora da rede de atacarejo.
O grupo de investidores é composto pelos irmãos Muffato e pelos fundos Snapper Rocks Strategy, WHG Apache e Exitus. Em comunicado ao mercado, a companhia informou que os investidores declararam não ter intenção de alterar a composição do controle acionário ou a estrutura administrativa do Assaí. A participação é vista como parte de uma estratégia de investimento, sem um percentual específico como objetivo, e os investidores afirmaram não manter acordos para regular o exercício do direito de voto ou a compra e venda de valores mobiliários da companhia.
Aval do Cade e compromissos assumidos
A ampliação da participação dos irmãos Muffato no Assaí ocorreu após o aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no mês passado. A aprovação permitiu que os irmãos continuassem investindo na rede e passassem a exercer os direitos políticos relacionados às ações. A análise do Cade, que durou mais de 140 dias, avaliou possíveis impactos concorrenciais da presença simultânea do Assaí e das redes do Grupo Muffato em mercados locais.
O órgão identificou sobreposição entre lojas das empresas em 66 mercados, distribuídos por 20 municípios de São Paulo e do Paraná. Apesar disso, a área técnica do Cade concluiu que não havia risco concorrencial relevante. O parecer registrou o compromisso dos irmãos de manter as duas empresas independentes, sem troca de informações comercialmente sensíveis e com poderes políticos limitados. O Cade advertiu que eventual descumprimento dessas condições, com prejuízo à concorrência, poderia motivar uma investigação posterior.
Trajetória de investimento no Assaí
A entrada dos irmãos Muffato no Assaí foi revelada em novembro de 2025, quando o grupo informou deter cerca de 10% da rede de atacarejo, tornando-se o segundo maior acionista atrás da Orbis. As compras tiveram início no primeiro trimestre de 2025 e foram realizadas de forma gradual, por meio de fundos de investimento. Pessoas próximas à operação relataram na época que a aquisição de ações foi discutida como uma forma de ampliar a presença do grupo paranaense no setor, considerando inicialmente até mesmo uma incorporação ou abertura de capital do Grupo Muffato.
A nova participação de 15,02% coloca o grupo de investidores à frente da Orbis em participação declarada. O percentual informado agora inclui ações ordinárias e derivativos, o que significa que não corresponde necessariamente à quantidade exata de ações efetivamente detidas pelo grupo.
Espaço no conselho e regras do estatuto
Com uma fatia superior a 10% das ações, os investidores podem solicitar a adoção do voto múltiplo, um mecanismo que permite concentrar votos em candidatos ao conselho de administração e pode facilitar a eleição de um representante minoritário. No entanto, o estatuto do Assaí restringe a eleição de pessoas que ocupem cargos em empresas concorrentes, salvo dispensa aprovada em assembleia geral. Uma eventual indicação para o conselho teria de considerar essa regra.
O estatuto também prevê um mecanismo de proteção aos acionistas minoritários: a obrigação de realizar uma oferta pública de aquisição de ações (OPA) a partir de 30% do capital. O caso dos Muffato se insere em um movimento mais amplo de investidores ligados a empresas regionais que ampliam posições em companhias de grande porte, como a família Coelho Diniz no GPA e José Odvar Lopes na Vibra Energia.



