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Irã se prepara para conflito e mantém negociações com EUA sobre Estreito de Ormuz

03 de novembro de 2026
Irã se prepara para conflito e mantém negociações com EUA sobre Estreito de Ormuz

Destaques

  • •Irã declara estar pronto para qualquer cenário militar, mas mantém negociações diplomáticas com os EUA.
  • •O principal impasse nas negociações envolve o Estreito de Ormuz, com o Irã exigindo o fim do bloqueio naval e sanções.
  • •A resposta iraniana a qualquer nova agressão será 'imprevisível', segundo o presidente do Parlamento.

O Irã afirmou nesta terça-feira (03/11) que está preparado para qualquer cenário diante da possibilidade de uma nova ofensiva militar dos Estados Unidos, ao mesmo tempo que mantém abertas as negociações diplomáticas para encerrar a guerra iniciada em fevereiro. Teerã, entretanto, considera que um acordo com Washington ainda está distante e condiciona a reabertura do Estreito de Ormuz ao atendimento de suas exigências.

O vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, declarou que o país continua trocando mensagens com os Estados Unidos por meio de intermediários, principalmente do Catar. As conversas têm como base uma proposta iraniana apresentada anteriormente para solucionar as divergências entre os dois países.

Irã em alerta e pronto para responder

“O Irã está preparado para qualquer cenário”, declarou Gharibabadi. Segundo ele, o país não iniciou nem procurou a guerra, mas mantém suas forças mobilizadas e responderá com firmeza a qualquer nova agressão. O vice-chanceler ressaltou que o país continua em “estado de guerra” e considera que as agressões militares contra seu território não foram definitivamente encerradas.

Ao comentar os ataques registrados na noite de segunda-feira (02/11) na ilha iraniana de Qeshm, no Estreito de Ormuz, ele disse que o país preserva seu direito à legítima defesa até que as operações militares sejam interrompidas de maneira completa e permanente.

Segundo um oficial norte-americano ouvido pela Reuters, a operação teve caráter defensivo e atingiu sistemas de mísseis antiaéreos utilizados contra forças dos EUA. A Guarda Revolucionária iraniana, por sua vez, anunciou ter derrubado três drones norte-americanos nas proximidades do Estreito de Ormuz.

A Guarda Revolucionária afirma que dois drones de reconhecimento MQM-170 foram neutralizados ao sul da ilha de Qeshm; e que um drone MQ-9 foi interceptado e destruído na região oriental do estreito. Segundo a Guarda, este é o 55º drone MQ-9 abatido pelas forças iranianas.

Resposta 'imprevisível' e negociações em curso

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, advertiu que uma nova ofensiva dos Estados Unidos poderá desencadear uma resposta militar sem limites geográficos. “Nossa resposta militar e estratégica a qualquer erro de cálculo do inimigo será imprevisível”, afirmou.

“Se Washington cometer outro erro estratégico, deve saber que, desta vez, enfrentará um novo campo de batalha e ficará ainda mais desesperado do que está hoje, enquanto procura uma saída”, acrescentou. Segundo Qalibaf, as forças iranianas permanecem em seu mais alto nível de prontidão defensiva.

Na segunda-feira (02/10), mediadores do Catar viajaram a Teerã para discutir com o chanceler Abbas Araqchi uma proposta de acordo que vem sendo negociada há vários dias. As autoridades iranianas confirmaram o recebimento de respostas de Washington, mas afirmaram que ainda não existem condições para anunciar um entendimento definitivo. Qalibaf afirmou que cabe agora aos Estados Unidos dar o próximo passo. Segundo ele, o Irã apresentou uma resposta firme e racional às propostas norte-americanas e não aceitará ser submetido a pressões militares.

Impasse no Estreito de Ormuz e exigências iranianas

O chanceler Abbas Aragchi também advertiu que o Irã responderá de maneira “mais amarga e severa do que antes” caso Washington recorra a novas operações militares ou tente enganar Teerã durante as negociações. Em declarações feitas na segunda-feira (02/11), o chanceler disse que a reabertura do Estreito de Ormuz e a retomada das negociações indiretas com os Estados Unidos dependem da aceitação das condições estabelecidas pelo governo iraniano.

Ele destacou que os contatos diplomáticos se intensificaram diante da gravidade da situação, com participação ativa do Catar e do Paquistão na mediação entre os dois países. E ressaltou que Teerã já apresentou suas exigências e uma proposta de entendimento, de modo que o resultado das negociações depende agora da disposição política de Washington. O ministro enfatizou que o Irã não cederá às pressões nem recuará de suas posições.

Um alto funcionário iraniano declarou à Reuters que Teerã e Washington ainda estão longe de alcançar um entendimento. Segundo ele, os mediadores trabalham para reduzir as divergências, mas o governo iraniano não aceitará as “exigências excessivas” dos Estados Unidos.

O principal impasse envolve o Estreito de Ormuz. O Irã exige o fim do bloqueio naval norte-americano aos seus portos, a suspensão de novas sanções econômicas e garantias para a comercialização de seu petróleo antes de restabelecer plenamente a circulação pela região. A proposta iraniana prevê que essas medidas sejam implementadas em até 48 horas. Somente depois do cumprimento das condições iranianas poderiam começar as negociações sobre outras questões, incluindo o programa nuclear do país.

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