IPCA-15 de Outubro: Prévia da inflação desacelera, mas alimentos e combustíveis pressionam
Destaques
- •IPCA-15 de outubro deve registrar alta entre 0,40% e 0,49%, menor que os 0,70% de setembro.
- •Queda na energia elétrica alivia o índice, mas El Niño e guerra no Oriente Médio elevam preços de alimentos e combustíveis.
- •Inflação acumulada em 12 meses segue acima da meta, limitando flexibilidade do Banco Central para cortar juros.
A prévia da inflação oficial do Brasil, o IPCA-15, deve apresentar uma desaceleração em outubro, com projeções de mercado indicando uma variação entre 0,40% e 0,49%. Este percentual é inferior aos 0,70% registrados em setembro. A principal contribuição para essa desaceleração vem do grupo Habitação, impulsionado pela queda nos custos de energia elétrica, que deve recuar cerca de 1,10% devido à vigência da bandeira tarifária verde. Economistas atribuem essa normalização à aplicação do bônus de Itaipu e ao fim de descontos.
Alimentos e combustíveis sob pressão
Apesar do alívio na energia, os preços dos alimentos in natura e dos combustíveis continuam a pressionar o indicador. O fenômeno climático El Niño tem impactado diretamente a produção agrícola, elevando os custos de alimentos frescos. A Warren Investimentos projeta uma alta de 0,96% para o grupo Alimentação e Bebidas, com os itens in natura respondendo por uma pressão de 6,10%.
A guerra no Oriente Médio e dinâmicas globais também afetam os preços dos derivados de petróleo. O grupo Transportes deve registrar alta de 0,44%, influenciado pelo aumento de 3,50% nas passagens aéreas e reajustes em gasolina (+0,35%), etanol (+3,80%) e diesel (+4,89%). A alta nos combustíveis, especialmente o diesel, também eleva o custo do frete, impactando diversos setores produtivos.
Cenário para juros e meta de 2026
O cenário anual para a inflação permanece acima da meta estabelecida pelo Banco Central. O acumulado em 12 meses deve variar entre 4,70% e 4,83%, enquanto a meta é de 3%, com tolerância de até 4,5%. As projeções para o IPCA fechado de 2026 superam o teto da meta, com estimativas que vão de 5,0% a 5,2%.
A persistência da inflação em itens intensivos em mão de obra e o cenário global complexo trazem desafios para a política monetária. Economistas apontam que essa conjuntura oferece pouca flexibilidade para o Banco Central continuar o ciclo de corte de juros, atualmente em 13,75%.



