Investidores perdem milhões em apostas eleitorais após derrota de Bolsonaro

Destaques
- •Pessoas físicas relatam perdas milionárias e dívidas após apostarem em resultado eleitoral específico.
- •Um investidor perdeu R$ 1,2 milhão, enquanto outro, funcionário de estatal, ficou devendo R$ 700 mil à XP.
- •Especialistas alertam para riscos de operações alavancadas e a importância de conhecimento do mercado.
A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições de domingo, 25, resultou em perdas financeiras significativas não apenas para gestores profissionais e grandes fundos de investimento, mas também para muitos investidores pessoa física. Relatos nas redes sociais indicam que indivíduos se posicionaram de maneira alavancada em aplicações financeiras, apostando na vitória do candidato e sofrendo prejuízos expressivos quando o resultado foi o oposto.
Um dos casos extremos envolve um investidor que, segundo Hégler Henrique, sócio e gestor da Amplus Capital, perdeu R$ 1,2 milhão. Outro relato chocante é o de um funcionário de estatal, que preferiu não se identificar, que não só perdeu todo o seu patrimônio de aproximadamente R$ 400 mil, como também ficou com uma dívida de R$ 700 mil junto à plataforma XP. A XP, procurada, não comentou o caso.
O caso do funcionário de estatal e a operação de risco
O investidor em questão buscou ajuda de Hégler Henrique, especialista em derivativos, solicitando indicação de um advogado para contencioso bancário e mercado de capitais. O gestor descreveu a situação como emocionante, dada a magnitude da perda e a dívida contraída. O investidor havia realizado uma operação de altíssimo risco no mercado de opções, apostando na vitória de Flávio Bolsonaro. Ele utilizou seus R$ 400 mil como margem de garantia para vender opções de compra de ações do Banco do Brasil (BBAS3), assumindo a obrigação de comprá-las a um preço pré-fixado caso o mercado caísse.
Com a derrota do candidato, as ações do BB despencaram quase 30% no pregão seguinte. Essa queda acionou os contratos vendidos pelo investidor, forçando-o a honrar a compra das ações por um valor muito superior ao de mercado. Como o tamanho da operação excedia seu patrimônio, o prejuízo consumiu os R$ 400 mil. A XP realizou uma zeragem compulsória para estancar o rombo, resultando na perda total dos recursos do cliente e na dívida de R$ 700 mil.
O que dizem os especialistas e as orientações
Hégler Henrique montou uma força-tarefa com sua equipe para auxiliar gratuitamente mais de 40 pessoas que relataram perdas com apostas eleitorais, estimando que milhares de pessoas tenham sido afetadas em mercados como ações, dólar e índices futuros. Victor Garcia, especialista em fluxo de ordens, também relatou ter recebido contatos de pessoas que perderam todo o patrimônio em apostas na bolsa e em mercados de previsão como a Polymarket.
Hégler explicou que, no caso do funcionário da estatal, não há muito o que ser feito legalmente, pois ele assumiu o risco da operação. A orientação dada é tentar preservar algum valor residual, evitar a qualquer custo tentar recuperar o dinheiro, pois isso pode levar a perdas ainda maiores, e buscar um acordo para negociar e parcelar a dívida. Ele ressaltou que, caso Flávio Bolsonaro tivesse vencido, os ganhos seriam limitados a no máximo R$ 200 mil, demonstrando o desequilíbrio da aposta.
Causas e próximos passos para investidores
Para Hégler, a motivação para essas apostas arriscadas não foi apenas a paixão política, mas também a confiança em pesquisas que apontavam a liderança de Flávio Bolsonaro e, principalmente, o desconhecimento do mercado. Ele criticou a disseminação de operações de alto risco por assessores de investimento e influenciadores. A principal recomendação é que investidores entendam os riscos de operar em momentos de alta volatilidade e complexidade, buscando conhecimento e estudo antes de realizar tais operações.



