Inteligência artificial revoluciona caça a fantasmas, mas gera polêmica

Destaques
- •Aplicativos de IA transformam dados de sensores de celulares em imagens de supostos fantasmas.
- •Ferramentas como GhostTube Seer já somam mais de 1 milhão de downloads, mas levantam debates sobre ética e confiabilidade.
- •Investigadores dividem opiniões entre adotar a tecnologia e manter o foco na dimensão humana da investigação paranormal.
A busca por atividades sobrenaturais ganhou um novo aliado: a inteligência artificial. Ferramentas que utilizam IA para analisar sinais e criar imagens de supostos fantasmas estão dividindo opiniões entre entusiastas da investigação paranormal. Enquanto alguns pesquisadores adotam aplicativos que transformam dados de sensores de celulares em representações visuais, outros questionam a confiabilidade, a ética e o impacto dessas tecnologias na dimensão humana da atividade.
A chegada da IA à investigação paranormal reacende debates sobre confiabilidade, direitos autorais e a influência sobre crenças.
Aplicativos transformam sinais em imagens
Investigadores como Amy Waine e Jarrad Cutting criaram o GhostTube Seer, apresentado como o primeiro aplicativo de caça a fantasmas baseado em IA. Lançado em 2023, o serviço utiliza o magnetômetro dos celulares para captar sinais magnéticos, identificar palavras associadas a eles e alimentar um gerador de imagens. O aplicativo, disponível mediante assinatura mensal, já ultrapassou 1 milhão de downloads na Google Play Store. Os usuários podem compartilhar as imagens produzidas e comentar publicações de outros.
Em uma investigação na Winchester Mystery House, Waine e Cutting utilizaram a ferramenta para produzir imagens de possíveis ambientes, figuras humanas e animais, interpretando os resultados como referências à história do imóvel. Outro exemplo é o Spirit Phone Innovations, de Sean Austin, que usa IA para analisar áudio em busca de fenômenos de voz eletrônica (EVP), uma prática tradicional na área.
Resistência e questionamentos sobre o uso da IA
A popularização dessas ferramentas ocorre em meio à proliferação de conteúdos sobrenaturais gerados artificialmente na internet. Desde o lançamento do ChatGPT em 2022, esse tipo de conteúdo ganhou espaço, levando comunidades online a estabelecer regras rigorosas contra materiais produzidos por IA. A pesquisadora paranormal Alex Matsuo, que também atua no setor de tecnologia, experimentou o GhostTube Seer, mas mantém uma postura cética.
“Se você está usando IA, está usando algum tipo de modelo de linguagem grande. Com quais dados o sistema está sendo treinado para determinar o que é um fantasma?”, questionou Matsuo ao The Guardian. Entre as preocupações levantadas estão os direitos autorais, com a possibilidade de ferramentas generativas utilizarem obras protegidas para produzir imagens, e a criação de “bolhas de crenças”, onde chatbots reforçam convicções sobre fenômenos paranormais.
Histórico de tecnologia na investigação paranormal
A desconfiança em relação a novidades tecnológicas na investigação paranormal não é nova. Matsuo lembra que tentativas de investigar o sobrenatural já acompanharam outras inovações, como os experimentos de Thomas Edison com um telefone espiritual e as fotografias de espíritos dos séculos 19 e 20. Para a pesquisadora, a dimensão humana deve continuar no centro da investigação, muitas vezes ligada a traumas ou perdas.
A relação entre tecnologia e o sobrenatural também se manifesta em questões de preservação. Na Pensilvânia, um antigo asilo com histórico de assombrações, que abrigava uma atração de terror, foi vendido a uma empresa desenvolvedora de data centers. O plano de demolição foi barrado em maio após mobilização de moradores locais.
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- Caçadores de fantasmas usam IA para criar imagens de espíritos · olhardigital.com.br



