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USPS permitiu envio de crianças por correio entre 1913 e 1920

03 de novembro de 2026
USPS permitiu envio de crianças por correio entre 1913 e 1920

Destaques

  • •Entre 1913 e 1920, o Serviço Postal dos EUA permitiu o envio de crianças como encomendas.
  • •A prática surgiu com a criação do serviço de entrega de grandes pacotes e era mais barata que passagens de trem.
  • •O USPS proibiu a prática em 1920, mas casos isolados persistiram por algum tempo.

Entre 1913 e 1920, o Serviço Postal dos Estados Unidos (USPS) permitiu que crianças fossem enviadas por carteiros como se fossem encomendas. A prática inusitada surgiu como uma consequência da criação do serviço "Parcel Post", que possibilitava o envio de grandes pacotes a um custo reduzido, tornando-se uma alternativa mais barata que passagens de trem para muitas famílias, especialmente em áreas rurais.

Inicialmente, o serviço permitia o despacho de objetos de até 5 quilos. O primeiro caso noticiado ocorreu em 1913, quando o casal Jesse e Mathilda Beagle enviou seu filho de oito meses, James, para a casa da avó em Ohio por apenas 15 centavos. O bebê, que se enquadrava no limite de peso, chegou ao destino "com segurança", segundo um recorte de jornal, e a viagem contou com um seguro de US$ 50.

O surgimento da prática e os primeiros casos

A viabilidade do envio de crianças se tornou evidente para pais que buscavam economizar em viagens. A diferença de custo era particularmente significativa para famílias em zonas rurais, que frequentemente estavam mais distantes das malhas ferroviárias.

Um ano após o primeiro caso, em 1914, a história de Charlotte May Pierstoff, de 5 anos, ganhou atenção nacional. Ela foi enviada de Idaho para a casa de sua avó, a cerca de 117 quilômetros de distância. Embora a menina não se enquadrasse nos limites de peso, um primo que trabalhava no serviço postal ferroviário concordou em acompanhá-la, o que permitiu o despacho por 53 centavos.

A revista do Museu Smithsonian aponta que a prática era frequentemente facilitada pela colaboração de funcionários em áreas rurais, que abriam exceções às regras mediante solicitação dos pais. A historiadora Jenny Lynch destacou que esses casos demonstram a confiança depositada nos carteiros, que em muitas comunidades remotas eram os únicos a visitar as casas diariamente, chegando a salvar vidas e cuidar de doentes.

A proibição e os casos persistentes

Em junho de 1920, o USPS decidiu proibir oficialmente, em nível nacional, o envio de crianças pelo serviço postal. A justificativa oficial, segundo o The Washington Post, foi que, embora o correio ainda permitisse o transporte de "animais vivos inofensivos que não requerem água ou comida durante o envio", "crianças claramente não se encaixam nesta classificação".

Apesar da proibição, a prática de enviar crianças como encomendas persistiu por algum tempo, muitas vezes sustentada pela abertura de exceções por parte de funcionários. Entre os casos registrados após a proibição estão:

  • Um menino transportado por 40 quilômetros entre Stratford (Oklahoma) e Wellington (Kansas) por 18 centavos, com uma etiqueta em volta do pescoço.
  • Edna Neff, de 6 anos, enviada de Pensacola, Flórida, para a casa do pai em Christianberg, Virgínia, a uma distância de 1.158 quilômetros.
  • Maud Smith, enviada pelos avós para visitar sua mãe doente a 64 quilômetros de distância, com endereço e selos pregados no vestido. Este caso é apontado como a última viagem de uma criança por correio noticiada nos jornais.

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