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Inflação em setembro acelera e desafia governo Lula com alta de 0,82%

27 de outubro de 2026
Inflação em setembro acelera e desafia governo Lula com alta de 0,82%

Destaques

  • •Inflação de setembro atinge 0,82%, com projeção de 5,19% para o ano, superando o teto oficial.
  • •Governo Lula enfrenta desafios fiscais e pressão por credibilidade econômica em cenário internacional adverso.
  • •Mercado aguarda definição de alíquotas do Imposto Seletivo e Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) para 2027.

A inflação em setembro registrou 0,82% no mês e 4,58% em 12 meses, superando o teto oficial de tolerância e apresentando um desafio imediato para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As projeções de mercado indicam que o índice fechará o ano em 5,19% e o próximo em 4,34%, conforme o boletim Focus do Banco Central (BC). Sinais de riscos inflacionários também se manifestam nos custos industriais, com o Índice de Preços ao Produtor (IPP) do IBGE em alta de 1,54% em setembro, acumulando 5,04% no ano.

Desafios fiscais e de gestão para o novo governo

O presidente da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), André Passos, destacou a necessidade de o novo governo articular um amplo diálogo político para implementar o orçamento de 2027 e realizar um ajuste nas contas públicas. Ele enfatizou a urgência em iniciar essa discussão e promover uma aproximação com o empresariado brasileiro, sugerindo uma reunião do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI) liderada pelo presidente.

A economista Silvia Matos, da FGV, alertou que o governo Lula 4 herdará uma situação fiscal delicada, agravada por gastos eleitorais, descrevendo o cenário como uma "bomba fiscal" prestes a explodir. Ela defende regras rigorosas para gerar superávits primários consistentes e critica isenções e gastos fora do teto, argumentando que o Brasil busca ter um estado de bem-estar social antes de possuir os recursos necessários.

Pressões externas e a necessidade de credibilidade econômica

O complexo cenário interno é agravado por um contexto internacional desfavorável, marcado por incerteza econômica, taxas de juros elevadas e conflitos geopolíticos que elevam os custos de matérias-primas. Essa conjuntura pressiona a inflação no Brasil e dificulta a redução da taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central. Diante da alta do câmbio e dos juros, a estabilização das contas públicas internas torna-se crucial.

Para Silvia Matos, a credibilidade da nova gestão dependerá da escolha do comando da equipe econômica. O mercado espera um ministro com poder de decisão, perfil reformista e autonomia para resistir a pressões políticas. Ela sugere nomes de centro e centro-esquerda que combinem responsabilidade fiscal com políticas sociais eficientes, como o vice-presidente Geraldo Alckmin, ou governadores como Camilo Santana e Rafael Fonteles.

Propostas para estabilidade e crescimento

A entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) é vista como uma estratégia para blindar o orçamento contra falhas políticas internas e garantir governança estrutural. A adesão ao bloco exigiria o cumprimento de regras em diversas áreas, servindo como um selo de garantia para atrair investimentos estrangeiros.

No setor químico, o principal desafio é manter mecanismos de defesa comercial frente à competição global com China e EUA. André Passos defende uma alíquota de equilíbrio para os novos impostos (IBS e CBS) na reforma tributária, visando aumentar a produção e a arrecadação. Ele também propõe a elevação da taxa de investimento, estagnada entre 16% e 20% há duas décadas, em contraste com os 35% da China.

O governo Lula tem até 3 de novembro para editar a Medida Provisória (MP) com a alíquota do Imposto Seletivo (IS), conhecido como "imposto do pecado", para que entre em vigor em fevereiro, respeitando a noventena. O prazo para a proposta de alíquota da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) para 2027 ao Senado Federal é 30 de outubro. O setor produtivo aguarda a regulamentação, que, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, deve ser editada ainda nesta semana, apesar de feriados que dificultam os trabalhos técnicos. Há também a previsão de envio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para adiar o fim do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que seria reduzido a zero em 2027. O governo projeta para 2027 uma arrecadação de R$ 636 bilhões com a CBS e de R$ 41,996 bilhões com o Seletivo.

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