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Políticos e influenciadores incitam demissões e boicotes após eleições

28 de outubro de 2026
Políticos e influenciadores incitam demissões e boicotes após eleições

Destaques

  • •Publicações em redes sociais pedem demissão de petistas e boicote a estabelecimentos que apoiaram Lula.
  • •Ministério Público do Trabalho (MPT) já registrou mais de 427 denúncias de assédio eleitoral após o resultado das eleições de 2026.
  • •MPT investiga a responsabilização de políticos e influenciadores que incentivam a discriminação no ambiente de trabalho.

Após o resultado das eleições de 2026, um movimento nas redes sociais tem incentivado a retaliação política no ambiente de trabalho. Políticos e influenciadores digitais têm publicado conteúdos que defendem a demissão de trabalhadores, a recusa de contratação de profissionais e o boicote a estabelecimentos que apoiaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Essas publicações coincidem com um aumento nas denúncias de assédio eleitoral ao Ministério Público do Trabalho (MPT). Em 2026, o órgão recebeu 2.177 denúncias, sendo que mais de 427 foram apresentadas após o resultado da eleição presidencial, representando cerca de 19,6% do total. O MPT vê com preocupação as tentativas de transformar divergências políticas em critérios para contratação, demissão ou manutenção do emprego, o que viola a legislação.

Incentivo à demissão e boicote

A vereadora Jessicão (PL) pediu explicitamente a demissão de funcionários petistas. A influenciadora Josiflora orientou seus seguidores a não oferecer ajuda ou oportunidades de emprego a petistas. O empresário Rapha Hanzol relatou a demissão de uma funcionária, associando a decisão a questões de alinhamento com a "cultura" da empresa. A deputada estadual Índia Armelau (PL) incentivou empresários a não contratar quem "odeia empresários".

Outras influenciadoras, como Livian Weber Asmar e Natássia Chamelete, divulgaram campanhas de boicote a estabelecimentos e profissionais identificados com o PT, sugerindo que consumidores evitem esses locais e serviços. Essas ações, embora com formatos distintos, associam oportunidades de trabalho e relações comerciais ao posicionamento político.

MPT investiga e alerta sobre assédio eleitoral

O procurador do Trabalho Igor Sousa Gonçalves, coordenador nacional de Promoção da Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho (Coordigualdade), afirmou que o MPT possui regramentos que impedem a discriminação do trabalhador pelo voto ou opção política. Ele ressaltou que o assédio eleitoral não termina com a votação e que a prática pode atingir a democracia e a sociedade.

O MPT intensificou alertas nas redes sociais, lembrando que o voto é livre e secreto e que ninguém pode ser punido pela escolha feita. O órgão orienta que provas como prints, áudios e mensagens sejam guardadas para auxiliar na apuração. O MPT-RJ, inclusive, pediu R$ 500 mil em indenização contra a deputada Índia Armelau por incentivar demissões por motivação política.

Direitos e punições em casos de discriminação política

Especialistas e o MPT explicam que divergências políticas não podem ser critério para contratação ou demissão. A Lei nº 9.029/1995 proíbe práticas discriminatórias no acesso e manutenção do emprego, e a Constituição Federal protege a liberdade de consciência, expressão e convicção política. A Convenção nº 111 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) também garante proteção contra discriminação por opinião política.

Caso uma demissão seja comprovada como discriminatória por motivação política, a Justiça do Trabalho pode determinar a reintegração do empregado ou o pagamento de indenização correspondente ao dobro da remuneração do período de afastamento, além de possíveis danos morais. A preferência política é considerada esfera privada do trabalhador e dado pessoal sensível pela LGPD, não podendo ser cobrada pelo empregador.

O MPT entende que tanto empregadores quanto terceiros que utilizam as redes sociais para incentivar a discriminação podem ser responsabilizados. Ameaças de demissão com fins de pressão política já configuram conduta ilícita. Para identificar a discriminação, a Justiça analisa o conjunto de provas, como mensagens, e-mails, vídeos e depoimentos de testemunhas. Denúncias podem ser feitas de forma remota e sigilosa no site do MPT.

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