Incidentes de IA com dados confidenciais dobram; Brasil tem 64% de violações regulamentadas

Destaques
- •O número de incidentes de envio de informações confidenciais para aplicativos de IA dobrou globalmente em um ano.
- •No Brasil, 64% das violações de dados em IA generativa envolvem informações financeiras e pessoais regulamentadas.
- •Especialistas recomendam diagnóstico, regras claras e capacitação para mitigar riscos no uso de IA.
O número de incidentes em que usuários enviam informações confidenciais para aplicativos de Inteligência Artificial (IA) dobrou no último ano, atingindo uma média de 223 por mês por organização em nível global, de acordo com o Cloud and Threat Report 2026 da Netskope. No Brasil, a situação é ainda mais preocupante: 64% das violações de política de dados em aplicações de IA generativa envolvem dados regulamentados, como informações financeiras e pessoais. O código-fonte representa 21% desses incidentes, seguido por senhas e chaves de API (9%) e propriedade intelectual (7%).
BYOAI: O risco da IA não supervisionada
Esse cenário evidencia o desafio do 'BYOAI' (Bring Your Own AI), onde colaboradores utilizam ferramentas de IA sem o conhecimento ou a supervisão da empresa. Elizabete Loz, chief compliance officer da Prestex, ressalta que o problema não é a IA em si, mas a forma como ela é utilizada. A exposição de dados sensíveis e os riscos à segurança exigem mais do que proibições, demandando regras claras, ferramentas seguras e capacitação para o uso consciente.
A Prestex, operadora de logística, integrou seus departamentos de TI e Compliance há um ano para gerenciar o uso e desenvolvimento de IA. A empresa utiliza IA para analisar dados de rotas, clima e histórico de roubos, otimizando a segurança e a prevenção. Seu agente interno, LIO, resolveu 30% dos atendimentos sem intervenção humana em seis meses, reduziu a sobrecarga interna em quase um terço e diminuiu o tempo de resposta para rastreamento urgente para 10 minutos.
Autonomia de agentes de IA e gestão de riscos
A autonomia de agentes de IA é um ponto crítico na gestão de riscos. Cláudia Sá, executiva de Marketing B2B da Prestex, recomenda avaliar o que não pode ser delegado à IA, como verificar a confiabilidade das respostas e quais dados podem ser usados com segurança antes de implementar um agente. Ela enfatiza que, embora a IA amplie a execução, a liderança humana é responsável pelas decisões finais.
Para empresas que estão começando a adotar IA, a recomendação é focar no diagnóstico para identificar onde a tecnologia pode gerar produtividade. Em seguida, definir prioridades, estabelecer regras e criar controles de segurança, sempre envolvendo as áreas de negócio, TI e Compliance desde o início. O objetivo é equilibrar inovação, segurança e responsabilidade.
Preocupação com cibersegurança e investimentos no Brasil
No Brasil, 52% dos CIOs consideram a possibilidade de um grande incidente de cibersegurança uma de suas principais preocupações. No entanto, a pesquisa Tendências de Investimento da TI 2027, do IT Forum Inteligência, aponta que 63% desses executivos pretendem manter ou ampliar pouco os recursos destinados à proteção digital em 2027. Louise Ramas, analista do IT Forum, sugere que essa discrepância pode ocorrer em empresas com segurança já consolidada ou em organizações com controles insuficientes que não aumentarão o investimento.
Agentes de IA adicionam complexidade à segurança, pois podem ter permissões para consultar bases de dados e executar atividades. Cada agente é uma potencial superfície de ataque, exigindo controles específicos para identidades não humanas, gestão de permissões e monitoramento de atividades automatizadas. A cibersegurança representa, em média, 14,9% do orçamento de TI previsto para 2027, mas a suficiência desses recursos para acompanhar a evolução dos riscos ainda é uma questão em aberto.


