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Ilhas Marianas do Norte restringem entrada sem visto para chineses

29 de outubro de 2026
Ilhas Marianas do Norte restringem entrada sem visto para chineses

Destaques

  • •Território americano nas Ilhas Marianas do Norte suspende entrada sem visto para cidadãos chineses a partir de 30 de agosto.
  • •Medida visa combater o 'turismo de parto', prática de gestantes chinesas que viajavam para dar à luz e garantir cidadania americana aos filhos.
  • •A decisão impacta a economia local, que se tornou dependente desses turistas após flexibilização de regras em 2009.

As Ilhas Marianas do Norte, território dos Estados Unidos, anunciarão nesta sexta-feira (30) o fim da entrada sem visto para cidadãos chineses. A medida, divulgada pelo Departamento de Segurança Interna, visa combater o chamado “turismo de parto”, prática em que viajantes internacionais, principalmente chinesas, entram no país nos estágios finais da gravidez para garantir a nacionalidade de seus filhos por direito de nascença.

A decisão ocorre 11 anos após o fim da política do filho único na China, que por décadas restringiu o número de descendentes por família. Turistas que já se encontram nas ilhas poderão permanecer até o fim de suas estadias permitidas, enquanto aqueles com viagens planejadas terão suas autorizações anuladas e precisarão obter um visto americano tradicional.

O que é o turismo de parto e como funcionava nas Ilhas Marianas

O “turismo de parto” é uma prática onde gestantes viajam para outro país com o objetivo de dar à luz, garantindo assim a cidadania para o recém-nascido. Nas Ilhas Marianas do Norte, a flexibilização das regras de entrada para chineses e russos, implementada em 2009 pelo então presidente Barack Obama, permitiu que visitantes chegassem sem a necessidade de visto por até 15 dias.

Essa política coincidiu com o período da política do filho único na China (1979-2015), que limitava as famílias a um único descendente sob pena de multas e outras sanções. Assim, as ilhas se tornaram um destino popular para mães chinesas que buscavam contornar a restrição e garantir a cidadania americana para seus filhos, protegida pela Constituição dos EUA.

Em 2009, apenas oito crianças nascidas em Saipã eram de mães turistas chinesas. Em 2016, esse número já superava o de crianças nascidas de mães locais. A prática continuou mesmo após o fim da política do filho único em 2016, que passou a permitir até dois filhos e, posteriormente, eliminou qualquer limite.

Impacto econômico e histórico da medida

A ilha de Saipã, com 52 mil habitantes, tem uma história de ocupações e transformações econômicas. Após períodos de colonização espanhola, alemã e japonesa, passou ao controle dos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial. A economia local, antes baseada em pesca e açúcar, migrou para a indústria têxtil voltada à exportação para os EUA.

Críticas às condições de trabalho nas fábricas levaram a uma crise econômica, impulsionando a busca por novas fontes de renda. A flexibilização da entrada para turistas chineses em 2009, com o objetivo de estimular o turismo, acabou criando uma forte dependência econômica e laços históricos com esse público. A suspensão da entrada sem visto gera preocupação entre os moradores locais.

A mudança foi bem recebida por políticos que defendem o endurecimento das regras de imigração para os Estados Unidos, mas representa um revés para a economia de ilhas como Saipã, que se beneficiou diretamente do fluxo de turistas chineses nas últimas décadas.

O que acontece agora e o futuro da política de imigração

A partir de 30 de agosto, cidadãos chineses que desejarem visitar as Ilhas Marianas do Norte precisarão passar pelo processo tradicional de solicitação de visto americano. A medida reflete uma tendência de endurecimento das políticas de imigração sob o governo de Donald Trump.

A China manteve a política do filho único entre 1979 e 2015, com o objetivo de controlar o crescimento populacional. Durante esse período, famílias que desrespeitavam a regra enfrentavam multas, perda de empregos públicos e, em casos extremos, abortos forçados e esterilizações compulsórias. Exceções incluíam minorias étnicas, moradores rurais com filhas como primeiro descendente e famílias ricas que podiam arcar com as multas.

O fim da restrição em 2015 permitiu que as famílias chinesas tivessem até dois filhos, e posteriormente, qualquer limite foi removido. Outros destinos populares para o turismo de parto incluíam Hong Kong, Los Angeles, Canadá, Austrália e países do sul da Ásia.

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