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Ibovespa sobe 1,23% com exterior favorável; Petrobras recua com petróleo

04 de novembro de 2026
Ibovespa sobe 1,23% com exterior favorável; Petrobras recua com petróleo

Destaques

  • •Ibovespa interrompe sequência de quedas e fecha em alta de 1,23%, impulsionado pelo cenário externo positivo após eleições nos EUA.
  • •Ações de bancos como Itaú Unibanco e BTG Pactual se destacam positivamente, enquanto Petrobras sofre forte desvalorização devido à queda do petróleo.
  • •Investidores aguardam decisão do Copom sobre a taxa Selic e permanecem atentos aos planos fiscais do novo governo Lula.

O Ibovespa encerrou o pregão desta quarta-feira em alta de 1,23%, aos 167.563,47 pontos, interrompendo uma sequência de seis quedas consecutivas que haviam acumulado uma desvalorização de mais de 19%. A recuperação foi impulsionada por um cenário externo mais favorável, com destaque para o resultado das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, que indicam menor risco de mudanças econômicas bruscas. No entanto, a Petrobras registrou forte queda, com suas ações PN recuando 7,08% e ON em queda de 7,64%, acompanhando o tombo do preço do petróleo no mercado internacional.

A sessão foi marcada pela expectativa em relação à reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que decidiria sobre a taxa básica de juros Selic. A maioria dos economistas consultados pela Reuters esperava a manutenção dos atuais 13,75% ao ano. O pregão na B3 movimentou R$44,6 bilhões.

Cenário externo e eleições nos EUA impulsionam bolsa

A vitória dos democratas no Senado e na Câmara dos Deputados dos EUA foi vista pelo mercado como um fator de redução de incertezas. Agentes financeiros avaliam que a divisão do poder tende a diminuir a probabilidade de mudanças econômicas abruptas por parte do governo americano. Em Wall Street, o S&P 500 subiu 1,58%. O barril do petróleo Brent, por outro lado, fechou em queda de 8,67%, a US$94,62, com especulações sobre o fim da guerra entre EUA e Irã.

O estrategista Marcos Bassani, da Boa Brasil Capital, apontou que muitas ações estavam com preços descontados após as quedas pós-eleição, o que abriu oportunidades de compra. A Meta Asset recomendou cautela, sugerindo que realizar perdas no curto prazo seria precipitado, e que a amplitude de preços dos ativos pode incentivar o novo governo a adotar medidas fiscais corretas.

Destaques do pregão e balanços corporativos

Na B3, além da queda da Petrobras, a Vale ON avançou 3,49%, impulsionada pela alta dos futuros de minério de ferro na China. O setor financeiro apresentou bons resultados: Itaú Unibanco PN subiu 3,17% após divulgar lucro líquido recorrente de R$12,6 bilhões no terceiro trimestre. BTG Pactual Unit avançou 5,96%, Bradesco PN subiu 3,65%, Banco do Brasil ON avançou 1,85% e Santander Brasil Unit teve alta de 5,43%.

Outras empresas com balanços divulgados também chamaram atenção. A RD Saúde ON subiu 3,9% com lucro líquido de R$439 milhões no terceiro trimestre e potencial de crescimento no mercado de GLP-1. A ISA Energia PN avançou 3,51% com lucro líquido de R$1,9 bilhão. Em contrapartida, a BB Seguridade ON caiu 7,45%, apesar de lucro recorrente acima do esperado, devido ao corte na projeção de prêmios de seguros emitidos em 2026.

Dólar em queda e expectativas para o Copom

O dólar à vista fechou em queda de 0,64%, a R$5,4511, refletindo o enfraquecimento da moeda americana no exterior após a vitória democrata nos EUA. O dólar futuro para dezembro também recuou 0,64%. A queda nos rendimentos dos Treasuries americanos e o enfraquecimento do dólar globalmente favoreceram o real, que, contudo, teve seus ganhos limitados por preocupações com o cenário fiscal brasileiro e a indefinição sobre a equipe econômica.

Analistas como Luca Girardi, da Nomad, destacaram que, embora o colapso externo tenha sustentado a moeda brasileira, a falta de sinais sobre o ajuste das contas públicas e o forte refúgio no petróleo continuam pesando sobre o câmbio. Os investidores aguardam a decisão do Copom sobre a Selic e o comunicado que a acompanhará, buscando pistas sobre os próximos passos da política monetária.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará um pronunciamento televisivo no domingo para reafirmar seu compromisso com a disciplina orçamentária, mas sem detalhar políticas, segundo fontes. A falta de clareza sobre os planos fiscais do novo governo continua sendo um ponto de atenção para o mercado.

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