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Onda de protestos na Europa expõe crise do custo de vida e afeta democracia

04 de novembro de 2026
Onda de protestos na Europa expõe crise do custo de vida e afeta democracia

Destaques

  • •Manifestações em ao menos sete países europeus refletem o alto custo de vida e a falta de perspectiva entre jovens e estudantes.
  • •O movimento estudantil na França, em particular, reuniu centenas de milhares de pessoas e gerou confrontos com a polícia.
  • •Especialistas analisam as semelhanças e diferenças com protestos históricos e as potenciais consequências para a democracia europeia.

Uma onda de protestos com forte impacto social e político varre a Europa, com manifestações ocorrendo em países como França, Espanha, Itália, Bélgica, Albânia, Sérvia e Alemanha. O estopim varia em cada nação, mas o denominador comum é o aumento do custo de vida e a falta de perspectiva para a juventude, especialmente estudantes. Em meados de setembro, o despejo de uma senhora de 87 anos na Espanha por não conseguir pagar o aluguel, após viver mais de sete décadas na mesma casa, tornou-se um símbolo do problema. Na França, estudantes secundaristas iniciaram uma série de protestos contra as más condições das escolas públicas, que escalaram para atos com mais de 500 mil pessoas em Paris, chegando a mergulhar a capital no caos e a gerar confrontos com a polícia, com uso de bombas e pedras.

O espírito do tempo: custo de vida e falta de perspectiva

O cientista político Thomás Zicman de Barros, especialista em movimentos populistas, analisa o fenômeno em entrevista ao podcast O Assunto. Ele compara os atuais protestos com o histórico Maio de 1968, destacando o espírito do tempo que une as manifestações: a percepção generalizada de que o custo de vida se tornou insustentável. A falta de perspectiva de futuro para os jovens é apontada como um dos principais combustíveis para a insatisfação.

As manifestações não se limitaram à França. Na Albânia, o movimento estudantil obteve vitórias eleitorais significativas, derrotando o partido do presidente Aleksandar Vučić, que governava o país desde 2014. Na Alemanha, protestos liderados pela Geração Z terminaram com saques a lojas, evidenciando a complexidade e as diferentes facetas do descontentamento.

Consequências para a democracia europeia

A magnitude e a disseminação dos protestos levantam questões sobre suas potenciais consequências para a democracia europeia. A análise de Thomás Zicman de Barros sugere que essa onda de manifestações pode reconfigurar o cenário político, forçando governos a responderem às demandas populares e a buscarem soluções para a crise econômica que afeta milhões de cidadãos.

O movimento também expôs outras questões, como no caso da Albânia, onde protestos contra o aumento do custo de vida também trouxeram à tona o avanço de negócios bilionários da família Trump no continente. A diversidade de pautas e a amplitude geográfica das manifestações indicam um cenário de instabilidade e efervescência social na Europa.

O que vem a seguir?

Ainda que os textos não especifiquem datas para próximos atos ou votações, a continuidade dos protestos é esperada, dada a persistência das causas que os motivam. A forma como os governos europeus e as instituições supranacionais responderão a essa pressão popular será crucial para determinar o futuro político e social do continente.

O podcast O Assunto, produzido pelo g1, abordou o tema com a participação de especialistas, buscando aprofundar a compreensão sobre as causas, o desenvolvimento e as implicações dessas manifestações que ecoam por toda a Europa.

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