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Ibovespa registra maior queda semanal desde 2020 após reeleição de Lula

30 de outubro de 2026
Ibovespa registra maior queda semanal desde 2020 após reeleição de Lula

Destaques

  • •O Ibovespa encerrou a semana com uma perda de 18,12%, a maior desde março de 2020.
  • •A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva desfez apostas do mercado em uma virada fiscal, elevando juros futuros e pressionando o câmbio.
  • •O mercado aguarda a definição do Ministério da Fazenda e a decisão do Copom sobre a taxa Selic na próxima semana.

O Ibovespa encerrou a sexta-feira (30) em queda de 0,75%, a 167.921,80 pontos, acumulando a maior perda semanal desde março de 2020, com um recuo de 18,12%. O mês de outubro também foi negativo, com o índice caindo 9,88%, a maior perda mensal desde junho de 2022. O volume financeiro somou R$43,47 bilhões em um dia marcado pelo fim de semana prolongado pelo feriado de Finados.

A forte correção dos ativos financeiros no Brasil foi desencadeada pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que desfez as apostas do mercado em uma mudança de governo e em uma virada fiscal. "O ponto central é que o mercado tinha apostado numa troca de governo e numa virada fiscal… Com a reeleição do Lula, essa aposta foi desmontada de uma vez", afirmou Nicolas Gass, chefe de alocação de investimentos da GT Capital. A continuidade do governo reduz a expectativa de mudança nas contas públicas, empurrando os juros longos para cima e dificultando cortes mais agressivos da Selic, além de provocar a saída de capital externo.

Mercado financeiro reage à reeleição de Lula

O Ibovespa chegou a renovar máximas no início de outubro, superando os 209 mil pontos, após o primeiro turno presidencial. No entanto, o resultado do segundo turno, com a vitória de Lula, levou a uma forte reprecificação das ações. A saída de liquidez externa do mercado secundário foi de quase R$ 7,6 bilhões nos três primeiros pregões da semana, segundo dados da B3. No ano, o saldo de investimento estrangeiro ainda é positivo em quase R$ 36 bilhões, mas o fluxo recente tem sido negativo.

O cenário externo também não ajudou, com preocupações sobre investimentos em inteligência artificial após balanços de grandes empresas de tecnologia, como Alphabet e Amazon.com. Em Wall Street, o S&P 500 fechou em queda de 1,82%.

Dólar atinge maior valor do ano e Selic sob pressão

O dólar fechou a sexta-feira com alta superior a 1%, próximo dos R$ 5,45, atingindo o maior valor do ano. A moeda norte-americana à vista encerrou a sessão com alta de 1,09%, a R$5,4460. Na semana pós-eleição, o dólar acumulou valorização de 9,15%. A moeda foi empurrada pela reeleição de Lula e pelas incertezas sobre a política fiscal no novo governo. Investidores aguardam a indicação do futuro ministro da Fazenda e detalhes sobre a condução da política fiscal.

O Itaú acredita que o ciclo de cortes da Selic chegou ao fim. O banco espera que o Comitê de Política Monetária (Copom) mantenha a taxa básica de juros em 13,75% ao ano na próxima reunião, em 4 de novembro, e comunique a interrupção da sequência de reduções. A expectativa de fim de ciclo se deve a fatores domésticos, como a perda de fôlego da atividade econômica e a inflação acima da meta, e externos, como o aperto das condições financeiras globais e a perspectiva de novas altas de juros pelo Federal Reserve (Fed).

Destaques do pregão e próximos passos

Na bolsa, BTG PACTUAL UNIT recuou 4,66%, SANTANDER BRASIL UNIT cedeu 2,84%, ITAÚ UNIBANCO PN perdeu 2,15% e BRADESCO PN caiu 2,12%. BANCO DO BRASIL ON fechou com variação positiva de 0,06%. VALE ON avançou 3,28%, apesar da queda de 53% no lucro do terceiro trimestre. PETROBRAS PN subiu 0,98%, impulsionada pela alta do petróleo e pela descoberta de um novo poço na Bacia da Foz do Amazonas. USIMINAS PNA tombou 8,59% após divulgar lucro líquido abaixo do esperado, e CSN ON caiu 8,49% após anunciar acordo para venda de sua subsidiária de cimentos.

A partir de terça-feira (3), o mercado aguarda a eleição de meio de mandato nos EUA e a reunião do Copom no Brasil. O Tesouro Nacional recomprou R$ 31 bilhões de títulos federais de prazos mais longos e suspendeu leilões de venda programados para a semana, buscando estabilizar o mercado.

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